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Mpox: Brasil mantém vigilância após nova variante

A doença é considerada altamente infecciosa e o diagnóstico é realizado por meio da coleta de material das lesões.

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Imagem ilustrativa da notícia Mpox: Brasil mantém vigilância após nova variante camera Após o pico registrado entre 2022 e início de 2023, a Mpox – anteriormente chamada de monkeypox – segue sob monitoramento das autoridades sanitárias. | Foto: Reprodução

Até o momento, o Brasil já confirmou 48 casos de MPOX, segundo Ministério da Saúde. A maior oarte das ocorrências estão no estado de São Paulo, com 41 casos, seguido do Rio de Janeiro (3), Distrito Federal (1), Rondônia (1), Santa Catarina (1) e Rio Grande do Sul (1).

Após o pico registrado entre 2022 e início de 2023, a Mpox – anteriormente chamada de monkeypox – segue sob monitoramento das autoridades sanitárias. Embora o número de casos no Brasil esteja atualmente em patamar mais baixo, a identificação recente de uma nova variante no exterior reforça a importância da vigilância epidemiológica e do diagnóstico laboratorial preciso.

De acordo com a infectologista Dra. Melissa Valentini, do Lab-to-Lab Pardini, a Mpox é causada por um vírus da mesma família da varíola humana, doença erradicada globalmente em 1980. “Os principais sintomas são febre, aumento dos gânglios linfáticos – que chamamos de linfadenomegalia – e lesões de pele, que podem ser manchas, pápulas ou vesículas. Muitas vezes essas lesões são confundidas com catapora ou até herpes genital”, explica.

A mudança de nomenclatura, adotada internacionalmente, teve como objetivo evitar estigmatização associada ao nome anterior. Segundo a especialista, trata-se de um vírus já conhecido há décadas, com origem no continente africano. “Até 2022, eram raríssimos os casos fora da África e geralmente estavam associados ao contato com animais infectados. A partir daquele ano, houve uma mudança no padrão de transmissão, com disseminação principalmente por contato íntimo e relações sexuais desprotegidas”, afirma.

Clados e comportamento clínico

O vírus da Mpox possui dois principais clados (linhagens genéticas): o clado 1, originário da África Central, historicamente associado a quadros mais graves e maior mortalidade; e o clado 2, da África Ocidental, tradicionalmente relacionado a formas mais brandas.

O surto global iniciado em 2022 esteve majoritariamente ligado ao clado 2B, com transmissão predominante por contato íntimo. “A maioria dos casos ocorreu em homens que fazem sexo com homens. Em geral, eram quadros não graves, mas com lesões muito dolorosas, principalmente na região anal e perianal”, detalha a médica.

Pacientes imunossuprimidos, especialmente pessoas vivendo com HIV com baixa imunidade, apresentaram maior risco de complicações. O Brasil foi um dos países mais afetados em 2022 e registrou óbitos associados à infecção. Atualmente, segundo a infectologista, o país segue registrando casos esporádicos, sem o mesmo volume observado no auge do surto.

Nova variante identificada no exterior

Recentemente, pesquisadores identificaram uma nova variante resultante da combinação genética entre linhagens dos clados 1 e 2. Casos foram detectados no Reino Unido, em dezembro de 2025, e na Índia, em setembro do mesmo ano.

“Esses dois casos não têm correlação epidemiológica entre si, o que indica transmissões independentes. Ainda não sabemos se essa variante é mais transmissível, mais grave ou se mantém o padrão de transmissão sexual observado anteriormente. Isso precisa ser acompanhado”, ressalta Dra. Melissa Valentini.

Segundo ela, até o momento, a Organização Mundial da Saúde (OMS) não alterou as recomendações de vigilância, prevenção ou classificação de gravidade da doença.

Diagnóstico, isolamento e vacinação

A Mpox é considerada altamente infecciosa e o diagnóstico é realizado por meio da coleta de material das lesões, com identificação do vírus pela técnica de PCR. “O diagnóstico é feito a partir da secreção das lesões, utilizando PCR para detectar o material genético do vírus. Diante da suspeita, o paciente deve permanecer isolado até que todas as lesões desapareçam”, orienta a infectologista.

Em relação à prevenção, a vacina utilizada é a mesma originalmente desenvolvida contra a varíola. No Brasil, as doses foram disponibilizadas por meio de doações internacionais, com prioridade para grupos mais vulneráveis, especialmente pessoas imunossuprimidas. “O Brasil recebeu vacinas por doação e priorizou grupos de maior risco, como pacientes vivendo com HIV com baixa imunidade. Atualmente, não há disponibilidade ampla de vacina nem na rede pública nem na privada”, afirma.

Atenção aos sintomas e redução de riscos

A especialista reforça que, diante de febre associada a lesões cutâneas e aumento de gânglios, é fundamental buscar avaliação médica, especialmente em casos com histórico recente de contato íntimo desprotegido ou exposição a pessoas com lesões suspeitas.

“O reconhecimento precoce e o isolamento adequado são essenciais para interromper a cadeia de transmissão”, conclui.

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