Depois da intensidade do Carnaval, milhões de cristãos voltam o olhar para um tempo de silêncio, reflexão e mudança de vida. A Quarta-feira de Cinzas marca o início da Quaresma, período de 40 dias que prepara os fiéis para a celebração da Páscoa, o momento central da fé cristã, quando se recorda a ressurreição de Jesus Cristo.
Embora seja amplamente observada nas igrejas, a data não é feriado nacional no Brasil. Ainda assim, muitos órgãos públicos e empresas adotam ponto facultativo ou horário especial de funcionamento, em razão da tradição cultural e religiosa que envolve o período.
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O que é a Quarta-feira de Cinzas?
A Quarta-feira de Cinzas inaugura a Quaresma, um itinerário espiritual de 40 dias que antecede a Páscoa. Inspirado nos 40 dias em que Jesus jejuou no deserto antes de iniciar sua missão pública, esse tempo é dedicado à conversão, à oração, ao jejum e à caridade.
Mais do que um rito simbólico, trata-se de um convite à revisão de vida. A Igreja propõe aos fiéis um caminho de interiorização, recordando a fragilidade da existência humana e a necessidade de reorientar as escolhas à luz do Evangelho.
Qual é o significado das cinzas?
O gesto mais conhecido da celebração é a imposição das cinzas na testa dos fiéis, geralmente em forma de cruz. Durante o rito, o sacerdote pronuncia uma das duas fórmulas previstas pela liturgia:
- “Recorda-te que és pó e ao pó voltarás” (cf. Gênesis 3,19);
- “Convertei-vos e crede no Evangelho” (cf. Marcos 1,15).
As cinzas simbolizam:
- A fragilidade e a transitoriedade da vida humana;
- A humildade diante de Deus;
- O arrependimento dos pecados;
- O compromisso de conversão.
A imagem do “pó” aparece diversas vezes na Bíblia como expressão da condição humana. No Antigo Testamento, por exemplo, Abraão se reconhece como “pó e cinza” ao falar com Deus, enquanto o livro de Jó associa as cinzas à dor e à penitência.
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De onde vêm as cinzas?
Tradicionalmente, as cinzas utilizadas na celebração são obtidas a partir da queima dos ramos abençoados no Domingo de Ramos do ano anterior — celebração que recorda a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém.
Esses ramos são recolhidos, secos e queimados. Depois, as cinzas são benzidas na Missa da Quarta-feira de Cinzas, tornando-se um sacramental — ou seja, um sinal sagrado que prepara os fiéis para receber a graça de Deus.
Origem histórica da celebração
A prática da Quaresma remonta aos primeiros séculos do cristianismo. Já no século II, os cristãos realizavam dias de jejum antes da Páscoa. No século IV, a Igreja estruturou oficialmente um período de 40 dias de preparação, inspirado no tempo que Cristo passou no deserto.
Inicialmente, a imposição das cinzas era destinada apenas àqueles que cumpriam penitências públicas por pecados graves. Com o passar dos séculos, o gesto foi estendido a todos os fiéis, tornando-se um símbolo universal de conversão.
A fixação da Quarta-feira como início oficial da Quaresma ocorreu por volta do século VII, ajustando o calendário para que os 40 dias penitenciais fossem contados sem incluir os domingos.
Um tempo de renovação espiritual
A Quarta-feira de Cinzas, portanto, não é apenas o encerramento simbólico do Carnaval. É o ponto de partida de um caminho espiritual que culmina na Páscoa, celebração da vitória da vida sobre a morte.
Ao receber as cinzas, o fiel assume publicamente o desejo de mudança. O sinal marcado na testa lembra que a vida é passageira, mas também aponta para a esperança da ressurreição.
Mais do que um rito anual, a data convida a um recomeço: rever prioridades, abandonar aquilo que afasta de Deus e redescobrir o sentido mais profundo da fé.
Assim, entre a memória de que “somos pó” e o chamado à conversão, a Quarta-feira de Cinzas abre oficialmente um dos períodos mais significativos do calendário cristão, um tempo de silêncio, reflexão e transformação interior.
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