Em meio ao avanço da digitalização dos serviços públicos e à crescente pressão por redução de taxas administrativas, um debate antigo volta ao centro da pauta nacional: até que ponto o cidadão deve continuar pagando por documentos que já não exigem papel, impressão ou envio físico? A modernização tecnológica, que transformou filas em cliques e guichês em aplicativos, agora coloca sob questionamento a própria lógica da cobrança do licenciamento veicular.
Uma proposta em tramitação no Senado Federal pretende extinguir a taxa anual de licenciamento veicular em todo o país. O Projeto de Lei 310/2026, de autoria do senador Cleitinho (Republicanos-MG), prevê que o CRLV (Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo) seja emitido exclusivamente em formato digital e disponibilizado gratuitamente ao proprietário do veículo.
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Pelo texto, o documento continuaria obrigatório, mas sua emissão não geraria qualquer custo ao motorista. O acesso ocorreria por meio de download, com possibilidade de impressão pelo próprio cidadão, caso desejasse. A justificativa central do projeto é que, com a digitalização completa do sistema, o Estado deixou de arcar com despesas de impressão em papel-moeda e envio pelos Correios, o que tornaria a cobrança atual injustificável.
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CUSTO OPERACIONAL INSIGNIFICANTE
Segundo o autor da proposta, manter a taxa em um cenário totalmente automatizado pode configurar enriquecimento indevido da administração pública. Em alguns estados, o valor do licenciamento ultrapassa R$ 300, quantia que se soma ao IPVA e a outras despesas obrigatórias do proprietário do veículo.
Hoje, o próprio motorista realiza praticamente todo o procedimento: acessa o portal do Detran, emite a guia de pagamento, efetua a quitação e, em muitos casos, imprime o documento em casa. Para o senador, o custo operacional do sistema digital é significativamente inferior ao montante arrecadado anualmente com a taxa.
INFRAÇÃO GRAVÍSSIMA
Apesar da repercussão, o licenciamento veicular segue obrigatório. O PL 310/2026 ainda precisa passar pelas comissões temáticas do Senado, ser votado em plenário, analisado pela Câmara dos Deputados e, se aprovado, sancionado pela Presidência da República.
Até lá, circular sem o pagamento da taxa e sem o documento atualizado continua sendo infração gravíssima, com multa de R$ 293,47, sete pontos na CNH e possibilidade de remoção do veículo ao pátio. O debate deve ganhar força ao longo do primeiro semestre, mas, por enquanto, as regras permanecem as mesmas para os condutores brasileiros.
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