O país, às vezes, só percebe o tamanho de um político quando ele se torna memória. Nesta semana, a política brasileira perdeu um nome que transitou por pastas estratégicas e deixou marca em áreas que sempre exigem firmeza e equilíbrio. Raul Jungmann, ex-ministro e ex-deputado federal, morreu no último domingo (18), aos 73 anos, após anos de tratamento contra um câncer, deixando um legado de gestão técnica e compromisso com a institucionalidade.
Segundo relatos do jornal O Globo, Jungmann chegou a retornar para casa sob cuidados paliativos, mas acabou sendo internado novamente em Brasília no fim de semana e não resistiu à progressão da doença. A notícia da morte repercutiu rapidamente no meio político, onde seu perfil técnico e discreto era frequentemente destacado.
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Ao longo da carreira, Jungmann consolidou-se no Poder Executivo com passagens que ganharam relevância nacional. No governo de Fernando Henrique Cardoso, assumiu o Ministério do Desenvolvimento Agrário, conduzindo políticas de reforma agrária e a gestão de conflitos fundiários em um período marcado por tensão social no campo. Já no governo Michel Temer, foi ministro da Defesa, um dos poucos civis a comandar a pasta responsável pelas Forças Armadas, e posteriormente liderou o Ministério Extraordinário da Segurança Pública, criado para coordenar ações federais contra o crime organizado.
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Além disso, Jungmann foi eleito deputado federal por três mandatos (2002, 2006 e 2014), e ficou conhecido por manter um perfil técnico e articulado, capaz de dialogar com diferentes setores do governo e da sociedade. Até 2022, ocupava o cargo de diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), onde continuou atuando em temas estratégicos para o país.
AUTORIDADES LAMENTAM MORTE DE RAUL JUNGMANN
A morte do ex-ministro foi rapidamente lamentada por lideranças políticas e autoridades. O senador Sérgio Moro (União-PR) destacou a perda para a vida pública e lembrou o trabalho de Jungmann na transição de governo de 2018, quando ele ocupava o cargo de ministro da Segurança Pública. "Tive a oportunidade de conhecê-lo na transição de governo de 2018, quando ele, com competência, ocupava o cargo de ministro da Segurança Pública", afirmou.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), também se manifestou, lembrando que concedeu a Jungmann uma Moção de Louvor em dezembro. "Foi um reconhecimento da sua trajetória pública, de serviço prestado ao país. Ficam as lições sobre diálogo, construção de pontes e respeito institucional", disse.
INTELIGÊNCIA E AMIZADE
Entre as manifestações, a ex-senadora Kátia Abreu ressaltou a inteligência e a importância do ex-ministro para o país: "Meu amigo querido e amado. Uma das maiores inteligências do país. Vai fazer muita falta ao Brasil". O ex-senador Roberto Freire também lembrou a amizade de juventude em Recife e destacou a competência de Jungmann no Parlamento e na gestão pública.
O senador Renan Calheiros (MDB-AL) afirmou que Jungmann foi um dos grandes pensadores e formuladores da nação e lamentou a perda de um amigo estimado. Já o ministro Gilmar Mendes, do STF, ressaltou a "rara integridade e extraordinária densidade republicana" do ex-ministro, lembrando seu papel no "dream team" do governo FHC e sua defesa do Estado de Direito.
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