O Dacia Spring está prestes a mudar de patamar no mercado europeu. Conhecido por ser um dos carros elétricos mais baratos e simples do continente, o compacto terá uma nova geração desenvolvida sobre a mesma arquitetura do Renault Twingo E-Tech. O projeto abandona a antiga base derivada de um modelo a combustão e transforma o Spring em um veículo maior, mais moderno e preparado para enfrentar rivais como o BYD Dolphin Mini.
A mudança também altera a origem do modelo. A nova geração será produzida em Novo Mesto, na Eslovênia, deixando para trás a fabricação chinesa. Apesar disso, parte do desenvolvimento continuará sendo realizada na China.
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SPRING FICA MAIOR

A nova plataforma, chamada RGEV Small, permitiu que a Dacia concluísse o desenvolvimento do carro em apenas 16 meses, aproveitando componentes e soluções já utilizadas pelo Grupo Renault.
O crescimento é uma das principais novidades. O Spring passa de 3,70 para 3,85 metros de comprimento, enquanto a largura aumenta de 1,56 para 1,74 metro. A altura chega a 1,52 metro e o entre-eixos mede 2,49 metros. Na prática, o modelo deixa de ter proporções tão estreitas quanto as da geração atual e ganha uma presença mais próxima à de um hatch compacto tradicional.
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O desenho também mudou. A aparência de mini-SUV inspirada no Renault Kwid dá lugar a linhas mais convencionais, embora o parentesco com o Twingo apareça nas proporções. A identidade visual da Dacia é marcada por faróis estreitos conectados por uma faixa preta, grandes áreas de plástico sem pintura nos para-choques e rodas de aço de 15 polegadas protegidas por calotas.
INTERIOR CONTINUA SIMPLES

Apesar do salto em tamanho e tecnologia, a Dacia não pretende abandonar a filosofia de baixo custo. O interior continua dominado por plásticos rígidos, mas diferentes texturas, cores e relevos ajudam a deixar o ambiente menos básico.
A marca também manteve comandos físicos para várias funções. O ar-condicionado, por exemplo, utiliza três seletores giratórios, enquanto o painel traz botões dedicados e o volante mantém controles convencionais.
Nas versões mais equipadas, o motorista terá um painel digital de 7 polegadas e uma central multimídia de 10 polegadas. Na configuração de entrada, porém, a tela central é substituída por um suporte para celular acompanhado de um pequeno porta-objetos. A alavanca de câmbio também foi reposicionada e fica à direita do volante.
MAIS ESPAÇO, MAS QUATRO LUGARES

O aumento das dimensões melhora o aproveitamento interno, mas não transforma o Spring em um carro para cinco ocupantes. A nova geração continua homologada para apenas quatro pessoas.
O porta-malas passa a oferecer 337 litros, capacidade que pode chegar a 1.283 litros com os bancos traseiros rebatidos. Existe ainda um espaço adicional sob o piso, embora o modelo não tenha estepe.
A busca por economia aparece em outros detalhes. As portas traseiras deixam de ter vidros elétricos e passam a utilizar um sistema basculante, no qual os vidros apenas se projetam parcialmente para fora. Outra opção é um compartimento dianteiro de 18 litros, destinado principalmente aos cabos de recarga.
MOTOR ÚNICO E BATERIA LFP
A nova linha será oferecida com apenas uma configuração mecânica. O Spring terá motor elétrico dianteiro de 82 cv associado a uma bateria de 27,5 kWh, construída com tecnologia LFP e formada por 90 células. A autonomia homologada chega a 250 quilômetros pelo ciclo WLTP.
Mesmo maior, o modelo continua relativamente leve para os padrões dos carros elétricos atuais. São 1.216 kg, com consumo declarado de 12,7 kWh a cada 100 km. O desempenho é voltado principalmente ao uso urbano: a velocidade máxima é de 130 km/h e a aceleração de 0 a 100 km/h leva 12,1 segundos.
RECARGA RÁPIDA É OPCIONAL
O carregamento padrão é feito em corrente alternada com potência de até 6,6 kW. O comprador pode, porém, optar por um carregador de bordo de 11 kW e pelo sistema de recarga rápida em corrente contínua de até 50 kW. Com essa configuração, a bateria pode passar de 15% para 80% em 28 minutos.
O pacote também acrescenta a função V2L, que permite utilizar a energia armazenada na bateria para alimentar equipamentos externos com potência de até 3,7 kW.
PREÇO MANTÉM PROPOSTA DE CARRO BARATO
Mesmo com a evolução mecânica e estrutural, a Dacia pretende preservar um dos principais atributos do Spring: o preço baixo. A versão Expression terá preço inferior a 18 mil euros, equivalente a cerca de R$ 107 mil em conversão direta. Já a configuração Journey ficará abaixo dos 20 mil euros, aproximadamente R$ 119 mil.
Os valores não consideram eventuais incentivos e subsídios oferecidos aos veículos elétricos em diferentes países europeus. Com essa estratégia, a Dacia pretende manter o Spring entre os elétricos mais acessíveis do continente justamente quando fabricantes chineses avançam nesse segmento.
O modelo terá pela frente concorrentes como o BYD Dolphin Mini e o Geely EX2, que disputam espaço entre os carros elétricos de entrada.
PRODUÇÃO COMEÇA EM 2027
As primeiras unidades da nova geração devem chegar às concessionárias europeias no início de 2027.
O novo Spring integra ainda um plano mais amplo da Dacia para ampliar sua presença no mercado de elétricos. A fabricante prevê quatro modelos totalmente elétricos até 2030, distribuídos pelos segmentos A, B e C.
NOVO SPRING PODE VOLTAR AO BRASIL?
A transformação do Spring também levanta dúvidas sobre o futuro de um eventual elétrico de baixo custo da Renault no Brasil. O Kwid E-Tech, considerado durante um período o carro elétrico mais barato do mercado brasileiro, teve sua importação interrompida no início de 2026, poucos meses depois de receber uma atualização. O modelo chegou a ser vendido por R$ 99.990.
Enquanto isso, a chegada do Geely EX2 aumentou a disputa entre os elétricos de entrada no país. O modelo chinês ganhou espaço rapidamente e passou a concorrer não apenas com outros elétricos, mas também com carros compactos a combustão.
A parceria entre Renault e Geely no Brasil ganhou ainda mais força com a confirmação da produção nacional do EX2 no Complexo Ayrton Senna, em São José dos Pinhais (PR), ainda em 2026.
Na Europa, porém, o caminho escolhido é diferente: o novo Spring passa a utilizar uma plataforma própria para elétricos compartilhada com o Twingo E-Tech. Com isso, fica menos provável que a Renault volte a colocar no mercado brasileiro um modelo elétrico exatamente na mesma faixa de preço e proposta do antigo Kwid E-Tech.
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