O ataque de Israel e Estados Unidos ao Irã e a série de retaliações iranianas já atingem mais de dez países no Oriente Médio, do Chipre ao Kuwait, e mesmo países distantes do epicentro, como o Brasil, começam a sentir impactos econômicos e desafios diplomáticos. Especialistas alertam que o conflito deve gerar pressões inflacionárias e exigir cautela na atuação internacional brasileira.
Segundo analistas em política externa, a posição geográfica do Brasil, distante do Oriente Médio, torna improvável que o país ou a América Latina se tornem alvos diretos. No entanto, os efeitos econômicos podem ser sentidos principalmente no preço do petróleo e na inflação. O bloqueio anunciado pelo Irã no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial, elevou o preço do barril de Brent para acima de US$ 80, com possibilidade de chegar a US$ 100.
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Especialistas em economia intercional indicam que cada alta de 5% no preço do petróleo acrescenta 0,1 ponto percentual à inflação média global. Com o barril acumulando valorização de cerca de 14% desde o fim de semana, o impacto já começa a pressionar os custos logísticos e o preço de produtos no Brasil. Eles também ressaltam que a cadeia de transporte do país é majoritariamente rodoviária, o que amplia o efeito da alta do diesel sobre fretes e, consequentemente, sobre o valor final dos produtos.
Além disso, o aumento nos custos pode refletir na política monetária, elevando a pressão sobre a taxa Selic. Com juros mais altos, a quantidade de dinheiro em circulação diminui, reduzindo o poder de compra da população. Apesar disso, o Brasil é praticamente autossuficiente na produção de petróleo e importa apenas uma pequena fração do Oriente Médio, o que minimiza impactos no abastecimento interno.
Impactos econômicos e comerciais
Segundo especialistas, os maiores prejudicados pelo bloqueio de Ormuz serão países asiáticos, como Japão e China, e a Europa, que dependem do petróleo que circula pelo estreito. Contudo, a valorização do combustível e os reflexos inflacionários nos parceiros comerciais, especialmente a China, podem gerar aumento de custos para insumos e produtos importados pelo Brasil.
Ainda assim, o país pode se beneficiar em parte da situação, por ser produtor de petróleo, manter distância geográfica do conflito e adotar uma postura diplomática universalista. Especialistas apontam que o Brasil pode se tornar um fornecedor confiável de petróleo e atrair investimentos e fluxo turístico, embora alertem que uma escalada global do conflito teria efeitos negativos generalizados, incluindo recessão.
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Diplomacia e segurança em foco
No campo diplomático, o Itamaraty condenou o uso da força e reforçou apelo pelo diálogo e respeito ao direito internacional. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não se pronunciou oficialmente, mas a viagem dele aos Estados Unidos, prevista para a segunda quinzena do mês, poderá depender dos desdobramentos do conflito e do encontro com Donald Trump.
Enquanto isso, o Brasil mantém relações sólidas com Estados Unidos e Irã, recentemente incorporado ao Brics+, e especialistas destacam que a postura neutra do país exige cuidado, considerando conflitos diplomáticos recentes com Israel e tensões comerciais com aliados da Casa Branca. Além disso, a atenção internacional ao Brasil aumenta caso seja percebido como defensor do Irã, o que poderia gerar pressões comerciais adicionais.
Já em termos de segurança, especialistas apontam que o país dificilmente se tornaria alvo do conflito. Além da geografia favorável, o Brasil possui força militar considerável, uma população de 200 milhões e uma extensa costa marítima, dificultando qualquer ação direta de atores internacionais envolvidos na guerra.
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