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JANEIRO ROXO

Campanha “Todos contra a Hanseníase” alerta para a doença

Sociedade Brasileira de Hansenologia promove conscientização sobre hanseníase, doença curável que ainda desafia o Brasil

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Imagem ilustrativa da notícia Campanha “Todos contra a Hanseníase” alerta para a doença camera A história da hanseníase é milenar, marcada por estigmas e isolamento compulsório até os anos 1980. | Reprodução

A hanseníase, doença infecciosa causada pelo Bacilo de Hansen, é curável, mas ainda representa um desafio de saúde pública no Brasil. Para conscientizar a população e fortalecer a prevenção, a Sociedade Brasileira de Hansenologia (SBH) mantém a campanha “Todos contra a Hanseníase”, com destaque para o Janeiro Roxo, mês de mobilização sobre a doença. A ação inclui televisão, painéis em rodovias e materiais em unidades de saúde, que visão o diálogo direto com a sociedade.

A doença é primariamente neural, provocando inflamação nos nervos e, por isso, é mais fácil de tratar no início, evitando sequelas. Com o tempo, pode se manifestar na pele com manchas esbranquiçadas ou avermelhadas, perda de pelos, alterações de sensibilidade, deformações nas mãos (como dedos em garra), dores, formigamentos e nódulos.

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O diagnóstico é clínico e envolve avaliação dermatológica e neurológica, com exames de sensibilidade com monofilamentos de náilon, palpação de nervos, testes de força muscular e, quando necessário, baciloscopia, testes moleculares, ultrassonografia de nervos e eletroneuromiografia. Além disso, é obrigatório avaliar os contatos familiares dos pacientes diagnosticados.

Disponível pelo SUS, o tratameno é feito com a Poliquimioterapia (PQT), um coquetel de antibióticos distribuído gratuitamente pela Organização Mundial da Saúde. Pacientes com poucos bacilos recebem medicação por seis meses e casos multibacilares seguem por doze meses. Apesar da eficácia comprovada, já existem cepas resistentes, além de relatos de falência terapêutica ou recidiva da doença.

Para orientar profissionais de saúde e melhorar o tratamento, a SBH lançou em dezembro de 2025 o Consenso de Terapêutica Antimicrobiana da Hanseníase, elaborado em parceria inédita com a Sociedade Brasileira de Infectologia, a Sociedade Brasileira de Pediatria e a FEBRASGO. O documento detalha drogas utilizadas, esquemas alternativos para pacientes com efeitos adversos, diretrizes para gestantes, lactantes e crianças, e aborda resistência bacteriana, recidiva e falência terapêutica.

A doença geralmente afeta populações vulneráveis, isoladas ou periféricas. O Brasil é o segundo país com mais casos no mundo e lidera em taxa de detecção. Antes da pandemia, eram diagnosticados cerca de 30 mil casos por ano, número comparável ao de HIV/Aids. Em 2023, o Boletim Epidemiológico da OMS registrou 22.773 novos casos, 4% a mais que em 2022, sinalizando a necessidade de ampliar os diagnósticos. Segundo a SBH, há de 3 a 5 vezes mais casos sem diagnóstico, configurando uma “endemia oculta”.

De acordo coma SBH, o preconceito com a doença ainda é um grande obstáculo. Relatórios da organização entregues à ONU em 2019 mostram que pacientes podem esconder a doença da família, crianças são afastadas da escola e pessoas perdem empregos ou convivência social. Além disso, editais de contratação que impedem a participação de pessoas em tratamento ainda existem, mesmo sem risco de transmissão.

Avanços no combate à doença

Contudo, a boa notícia é que pesquisas recentes avançam no tratamento da hanseníase. Um novo esquema terapêutico, desenvolvido pelo dermatologista Marco Andrey Cipriani Frade, combina rifampicina, moxifloxacino, claritromicina e minociclina. Em estudo publicado em 2025, 66 pacientes apresentaram melhora rápida da sensibilidade nas mãos e pés e recuperação neurológica progressiva, com menos efeitos adversos que a PQT. A CONITEC analisa a adoção do novo protocolo no SUS.

Ferramentas de diagnóstico e triagem também evoluíram. O Questionário de Suspeição de Hanseníase (QSH), desenvolvido na USP-RP e adotado pelo SUS, permite que qualquer pessoa alfabetizada, inclusive crianças, responda e leve ao médico, contribuindo para a identificação precoce de casos. A cidade de Tambaú (SP) foi pioneira, avaliando toda a população acima de cinco anos com o QSH. Além disso, a inteligência artificial, por meio do sistema MaLeSQs, permite análise rápida de milhares de questionários com precisão similar à avaliação manual.

O Brasil é referência mundial no enfrentamento da hanseníase. Entre os destaques estão: capacitação de agentes comunitários de saúde e médicos em regiões periféricas, criação do Curso de Especialização em Hansenologia, alta taxa de detecção, sistema de notificação eficiente (SINAN), além de modelos de baixo custo e replicáveis como QSH, MaLeSQs e a campanha educativa.

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Ainda para ampliar a conscientização, o tema também está presente em cinco episódios do podcast À Flor da Pele, disponível no Spotify, abordando desde a história da doença até avanços em diagnóstico, resistência bacteriana e experiências de pacientes.

Em 2028, o Brasil sediará o Congresso Mundial de Hanseníase no Rio de Janeiro, consolidando o país como referência no enfrentamento da doença. Até lá, a campanha “Todos contra a Hanseníase” continua sendo uma ferramenta essencial para reduzir atrasos no diagnóstico, combater preconceitos e tratar o máximo possível de pessoas afetadas.

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