plus
plus

Edição do dia

Leia a edição completa grátis
Edição do Dia
Previsão do Tempo 32°
cotação atual R$


home
Imagem ilustrativa
TEM QUE PENSAR GRANDE

Paysandu se limitou ao protagonismo regional

Com 51 títulos paraenses, seis Copas Verdes e duas Copas Norte, o Papão mantém força regional, mas a 14ª participação na Série C expõe mentalidade limitada

twitter Google News
Imagem ilustrativa da notícia Paysandu se limitou ao protagonismo regional camera O Paysandu já provou que pode conquistar o Norte. Agora, precisa provar a si mesmo que não nasceu para se limitar a ele. | Emerson Coe / DOL

O Paysandu encerrou 2026 com três taças, mas também com uma frustração que não pode ser escondida atrás das comemorações. Campeão paraense, da Copa Norte e da Copa Verde, o Papão reafirmou a hegemonia regional. Ainda assim, não conseguiu o acesso à Série B e voltará a disputar a terceira divisão em 2027.

O cenário parece contraditório para um clube que acumula 51 títulos estaduais, seis Copas Verdes e duas Copas Norte. A força regional é incontestável. O problema começa quando essa capacidade de conquistar o Norte não se traduz em uma trajetória nacional igualmente consistente.

Conteúdo Relacionado:

O último grande título nacional do Lobo foi a Copa dos Campeões de 2002, competição que garantiu ao clube uma vaga na Libertadores do ano seguinte. Antes disso, o Papão havia conquistado a Série B de 2001. Mais de duas décadas depois, os troféus continuam na memória, mas ainda não houve uma nova conquista nacional dessa dimensão.

O desafio, portanto, não é ganhar menos no Pará ou no Norte. É fazer dessas conquistas uma plataforma para voltar a competir em outro patamar. A sequência de títulos regionais deveria representar uma base para crescer, e não uma espécie de compensação permanente pela ausência de resultados nacionais.

Copa dos Campeões foi o último título nacional do Papão, há 24 anos
📷 Copa dos Campeões foi o último título nacional do Papão, há 24 anos |Paysandu

Por que pensar apenas no acesso se o objetivo pode ser maior?

A 14ª participação do Paysandu na Série C, em 2027, precisa representar mais do que uma nova tentativa de acesso. Por que pensar apenas em subir de divisão se o Papão também pode sonhar com o título? Por que não transformar a disputa em uma oportunidade para iniciar um projeto que devolva ao clube o protagonismo nacional?

O Paysandu já conquistou a Série B duas vezes e levantou a Copa dos Campeões de 2002, título que o levou à Libertadores. Essa história mostra que o clube pode almejar voos maiores. O acesso é necessário, mas não precisa ser o limite da ambição bicolor.

Mais do que montar um elenco para escapar da Série C, o desafio é construir um projeto que permita ao Paysandu voltar a conquistar títulos nacionais, crescer de forma sustentável e, finalmente, alcançar a elite do futebol brasileiro. O caminho começa em 2027, mas a ambição precisa ir muito além dele.

Papão soma 62 títulos na história, mas falta voltar a ter mais presença nacional
📷 Papão soma 62 títulos na história, mas falta voltar a ter mais presença nacional |Jorge Luís Totti / Paysandu

O Remo como contraponto

O rival oferece um contraste difícil de ignorar. O Remo tem menos títulos regionais que o Paysandu e também carrega um longo jejum de conquistas nacionais: o último título desse nível foi a Série C de 2005. Ainda assim, conquistou dois acessos seguidos e chegou à Série A, depois de 32 anos de ausência.

A trajetória azulina não apaga os próprios problemas nem garante que o clube conseguirá permanecer na primeira divisão. Mas mostra como o futebol pode mudar de cenário quando um planejamento para recolocar uma equipe entre os principais clubes do país após ela, há 11 anos, estar sem divisão.

A comparação também impede uma conclusão simplista. O Remo não conquistou mais títulos que o Paysandu, tampouco encerrou o jejum nacional. A diferença está no momento esportivo: enquanto o Leão disputa a Série A, ganha muito dinheioro para melhorar a estrutura e tem uma Série B garantida em caso de queda, o Papão precisa começar outra caminhada para sair da terceira divisão.

E talvez exista aí uma reflexão que ultrapasse a rivalidade. O futebol paraense tem tradição, torcida e capacidade de mobilização, mas ainda enfrenta dificuldades para transformar esses ativos em presença contínua nas principais divisões. O sucesso regional é importante, mas não basta para garantir competitividade nacional.

O Leão tem 97,7% de chances de queda, mas vem ganhando muito dinheiro na Série A e já tem uma Série B garantida, em caso de queda
📷 O Leão tem 97,7% de chances de queda, mas vem ganhando muito dinheiro na Série A e já tem uma Série B garantida, em caso de queda |Clube do Remo

O acesso não pode ser o teto da ambição

O Paysandu não precisa escolher entre conquistar a região e buscar espaço no cenário nacional. Pode - e deve - fazer as duas coisas. O problema surge quando os títulos regionais passam a servir como resposta suficiente para uma temporada que termina sem o principal objetivo no Campeonato Brasileiro.

A torcida bicolor não precisa ser convencida do valor de uma Copa Verde, de uma Copa Norte ou de um Campeonato Paraense. Essas conquistas fazem parte da identidade do clube. O que merece cobrança é a capacidade de construir, a partir delas, um planejamento que não dependa de recomeços frequentes.

Em 2027, o desafio será sair da Série C - mais uma vez. Porém a discussão não deveria terminar no acesso. O Paysandu precisa pensar em como ser campeão nacional de novo e permanecer na Série B, formar elencos competitivos com continuidade e criar condições para que a volta à elite deixe de parecer um sonho distante.

O Papão esteve na Série B por 11 minutos, mas levou o empate
📷 O Papão esteve na Série B por 11 minutos, mas levou o empate |Jorge Luís Totti / Paysandu

A Fiel merece mais do que comemorar o que já conquistou

A torcida do Paysandu não é responsável por esse ciclo. Ela é a parte que permanece, que lota o estádio, atravessa estados e sustenta a identidade do clube mesmo quando os resultados não correspondem à grandeza.

Por isso, a crítica não deve ser dirigida a quem comemora o Parazão, a Copa Norte ou a Copa Verde. Cada conquista tem valor próprio e merece respeito. O que precisa ser questionado é a possibilidade de a instituição se acomodar em uma posição confortável no cenário regional enquanto o projeto nacional continua sem respostas.

O Paysandu não precisa abandonar as raízes para voltar a ser competitivo no Brasil. Precisa justamente usar a força que possui no Norte como vantagem: mobilizar a torcida, consolidar receitas, melhorar o planejamento e construir equipes capazes de competir sem depender de uma campanha heroica a cada temporada.

"Defender o Paysandu, a nossa única meta", diz o torcedor bicolor
📷 "Defender o Paysandu, a nossa única meta", diz o torcedor bicolor |Jorge Luís Totti / Paysandu

A imagem do Lobo diante da catraca é poderosa porque reúne as duas verdades do clube. De um lado, há uma história de conquistas que ninguém pode apagar. Do outro, existe uma porta que continua fechada, apesar de tantas tentativas de atravessá-la.

Em 2027, o Paysandu terá outra chance de mudar essa história. A pergunta é se entrará em campo apenas para escapar da Série C ou se finalmente conseguirá transformar a urgência do acesso em parte de um projeto maior.

Até quando o torcedor bicolor terá de se orgulhar do trono regional enquanto a coroa nacional continua esperando? O Paysandu já provou que pode conquistar o Norte. Agora, precisa provar a si mesmo que não nasceu para se limitar a ele.

Tempos sombrios na Curuzu
📷 Tempos sombrios na Curuzu |Fernando Torres
VEM SEGUIR OS CANAIS DO DOL!

Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.

tags

Quer receber mais notícias como essa?

Cadastre seu email e comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Conteúdo Relacionado

0 Comentário(s)

plus

    Mais em Paysandu

    Leia mais notícias de Paysandu. Clique aqui!