Doze anos depois de comandar uma das campanhas mais marcantes da história recente do Paysandu, Mazola Júnior está de volta ao clube. O treinador foi confirmado como novo comandante bicolor para a disputa do quadrangular decisivo da Série C do Campeonato Brasileiro. O acerto aconteceu nesta segunda-feira (14), após a saída de Júnior Rocha, e foi confirmado pelo presidente do Paysandu, Márcio Tuma, nas redes sociais.
O acordo foi fechado no hotel onde a delegação bicolor estava hospedada em Araraquara, no interior de São Paulo, depois da derrota por 1 a 0 para a Ferroviária. O resultado provocou a saída de Júnior Rocha, que encerrou sua passagem pelo clube com três títulos conquistados em 2026: Campeonato Paraense, Copa Norte e Copa Verde.
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Agora, Mazola assume a equipe com uma missão conhecida: conduzir o Paysandu de volta à Série B. Em 2014, foi justamente sob o comando dele que o Papão conseguiu o acesso à segunda divisão nacional. Naquele ano, o treinador levou o clube às decisões do Campeonato Paraense, da Copa Verde e da Série C. Na competição nacional, o Papão terminou a primeira fase na quarta colocação de seu grupo, que também tinha Fortaleza, CRB e Salgueiro classificados para a etapa seguinte.
No mata-mata, o adversário foi o Tupi-MG. O Paysandu venceu por 2 a 1 em Belém e voltou a ganhar em Juiz de Fora, desta vez por 1 a 0. Com os dois resultados, garantiu a classificação e o acesso à Série B. Na semifinal, o Papão enfrentou o Mogi Mirim. Jogando no Mangueirão, aplicou uma goleada por 4 a 1. Na partida de volta, perdeu por 2 a 1, mas avançou à decisão.
A final foi contra o Macaé. No primeiro confronto, no Rio de Janeiro, houve empate por 1 a 1. Em Belém, diante de mais de 33 mil torcedores, o Paysandu empatou novamente, desta vez por 3 a 3. O título acabou com o Macaé, beneficiado pelo critério de gols marcados fora de casa, utilizado naquela edição da competição. Apesar de não ter conquistado a Série C, Mazola ficou marcado pelo acesso do clube à segunda divisão.
Saída conturbada e quebra de confiança
O relacionamento entre Mazola e a diretoria, entretanto, não terminou de maneira tranquila naquela temporada. Anos depois, em entrevista ao podcast CastFC, o treinador revelou que a crise começou durante a reta final do Campeonato Paraense de 2014. Segundo Mazola, ele descobriu que dirigentes do Paysandu haviam procurado Vica para assumir o comando da equipe antes mesmo do segundo jogo da decisão estadual. A situação teria provocado uma quebra de confiança entre o treinador e a diretoria.
“Tinha acontecido uma situação após o primeiro jogo da final que eu fiquei muito chateado, perdi a confiança total… os caras tinham contactado o Vica. Antiética total. Eu fui para a final sabendo que o Vica estava contratado”, afirmou. Mesmo em meio à crise, o Paysandu venceu o segundo jogo da decisão por 2 a 0 no Mangueirão. Após a partida, Mazola foi aplaudido pelos torcedores, mas decidiu deixar o cargo.
Depois de uma breve passagem pelo Bragantino, o treinador retornou ao Papão ainda em 2014 e comandou a equipe na campanha que terminou com o acesso à Série B. Em outra declaração ao CastFC, Mazola afirmou que chegou a fazer uma proposta financeira considerada alta justamente porque não pretendia permanecer no clube. “Realmente eu fiz um pedido de contrato muito grande que era para não ficar mesmo, porque eu não ia conseguir trabalhar com esses caras”, revelou.
Negociação de 2025 também terminou sem acordo
A relação entre Mazola e o Paysandu voltou a ser assunto em 2025, quando o treinador esteve novamente no radar do clube. Na ocasião, o então presidente Alberto Maia, que atualmente ocupa a função de diretor de futebol, concedeu uma entrevista na sede social do Paysandu para explicar por que o técnico e sua comissão não assumiriam o comando da equipe.
Segundo Maia, o clube apresentou uma proposta inicial e recebeu uma contraproposta de Mazola. O dirigente afirmou que os valores pedidos estavam acima da realidade financeira do Paysandu. “Argumentei com ele que o PSC não tinha esse dinheiro e ele sabia da realidade do clube, sabia ainda que nós, além de nos preocuparmos com a necessidade do time desenvolver um grande trabalho nas quatro linhas, precisaríamos dar continuidade aos trabalhos dessa diretoria desde o Vandick. Fiz uma contraproposta para o técnico, que era de 20% acima do valor que ele ganhava e de premiações”, relatou Maia.
Ainda de acordo com o ex-presidente, Mazola teria apresentado uma nova proposta com salário de R$ 70 mil até abril e posteriormente de R$ 80 mil, além de outras condições financeiras. Maia também afirmou que havia pedidos relacionados a pagamento inicial, passagens aéreas e premiações, elevando o valor total da negociação. O dirigente encerrou a coletiva dizendo que, caso Mazola tivesse aceitado a proposta apresentada pelo clube, seria o treinador do Paysandu naquele momento.
Procurado na época pelo DOL, Mazola preferiu não prolongar a discussão. “Já estou sabendo da coletiva, eu não vou falar mais não. Já falei o que tinha que falar, essa situação chegou a um ponto tão desagradável, é tão amadora que eu não quero mais me posicionar sobre o assunto”, declarou. Agora, 12 anos depois daquele episódio, Mazola e Paysandu voltam a trabalhar juntos.
Experiência e título da Série C
Aos 61 anos, Mazola Júnior acumula experiência em diferentes clubes do futebol brasileiro. O treinador já passou por equipes como Sport, CRB, Criciúma, Vila Nova, Ponte Preta, Náutico, Vitória, Confiança e Portuguesa. Também conhece o maior rival do Paysandu. Entre 2019 e 2020, comandou o Clube do Remo. Um dos trabalhos de maior destaque nos últimos anos foi realizado no Ituano.
Pelo clube paulista, Mazola tornou-se o treinador com mais jogos na história da equipe, com 157 partidas, e conquistou o título da Série C do Campeonato Brasileiro em 2021. No ano seguinte, ganhou o Troféu do Interior do Campeonato Paulista. O treinador também teve uma experiência internacional no futebol da Indonésia, onde comandou o PSS Sleman.
Missão é repetir o acesso de 2014
O retorno ao Paysandu acontece em um momento decisivo. O clube já está classificado para o quadrangular final da Série C e terá pouco tempo para preparar a equipe para os confrontos que definirão os clubes promovidos à Série B. A missão de Mazola é repetir o que fez em 2014, quando conduziu o Papão ao acesso nacional em uma campanha que entrou para a história do clube.
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