O Paysandu busca se reerguer de um dos momentos mais delicados da história recente. Com altas dívidas que se acumularam ao longo das últimas temporadas, o clube entrou em recuperação judicial e viu a crise administrativa também repercutir dentro de campo, com o rebaixamento para a Série C do Campeonato Brasileiro ao fim de 2025.
Em entrevista à TMC Esportes, o presidente Márcio Tuma falou sobre o projeto para tentar mudar esse cenário. Para o dirigente, a reconstrução do Papão não pode depender exclusivamente do desempenho do time profissional.
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A ideia passa por uma mudança estrutural, com investimentos simultâneos na base e no futebol profissional, enquanto o clube busca organizar as contas e cumprir os compromissos assumidos na recuperação judicial.
Tuma citou Mirassol e Athletico-PR como exemplos de clubes que, segundo ele, entenderam a importância de direcionar recursos também para a estrutura e para a formação de jogadores.
"Mirassol e Athletico Paranaense têm algo muito em comum que é o investimento à estrutura. Você não pode pegar todo o dinheiro e investir em uma folha (salarial). Isso não existe", destacou.
Para o presidente, a estratégia precisa acontecer em várias frentes ao mesmo tempo. O Paysandu, portanto, não pretende esperar a solução das dívidas para começar a construir uma nova estrutura esportiva.
"Você precisa investir em base e é o que a gente está fazendo. É o que eu digo: em paralelo ao pagamento de dívidas, em paralelo ao campeonato profissional, a gente vem investindo na nossa base também", ressaltou.

Base ganha espaço no projeto
O movimento já aparece no elenco atual do Papão. Ao todo, nove jogadores são oriundos das categorias de base e fazem parte do grupo profissional nesta temporada.
Além deles, o clube também integrou Ryan Vieira, que chegou ao sub-20 após passagem pelo Baré-RR. O atacante, porém, ainda não estreou entre os profissionais porque sofreu uma lesão.
Outro nome é Henrico, que saiu da Tuna Luso diretamente para o elenco profissional do Lobo. A aproximação com a Lusa também rendeu outros três atletas para as categorias de base: o volante Dieguinho, o meia Giovani e o lateral Gabriel Madeira.
O presidente também destacou a criação de bolsas para os jogadores das categorias inferiores. A medida faz parte da tentativa de oferecer melhores condições para a formação dos atletas.
"Criamos bolsas para a nossa base. Ano passado chegamos nas quartas de final da Copa do Brasil Sub-20. Estamos querendo aprontar de novo esse ano, chegar além das quartas, é o nosso objetivo", revelou.

A estratégia ainda busca transformar o sub-20 em uma fonte constante de jogadores para o profissional. Tuma afirma que o clube trabalha para formar um elenco de base mais competitivo e capaz de conquistar resultados.
"Estamos trabalhando muito o nosso elenco sub-20 para que seja mais vitorioso. Neste ano utilizamos vários dos nossos atletas da base, vendemos um deles para o Flamengo, que é o Pedro Henrique", contou.

Modelo para sair da crise
A formação de jogadores também aparece como uma alternativa para melhorar a saúde financeira do Paysandu. Em um clube que enfrenta um cenário de endividamento, revelar atletas pode representar uma fonte de receita e, ao mesmo tempo, reduzir a dependência de contratações.
Mas Tuma rejeita a ideia de que exista uma fórmula rápida para solucionar os problemas do clube. Para ele, a mudança depende principalmente de continuidade e convicção diante das cobranças.
"Acredito não ter mistério, não é mágica. É você ter força, convicção e resiliência, porque os desafios vêm para te bater", exclamou.
O dirigente reconhece que o projeto será acompanhado de pressão. Em um momento de crise e com o time disputando a Série C, as críticas da torcida, da imprensa e das redes sociais fazem parte do cenário.
"A rede social te bate, a torcida às vezes te bate, a imprensa te bate e, se você tiver convicção, você tem que seguir em frente", comentou.

Reestruturação em meio à luta pelo acesso
Enquanto o planejamento de longo prazo é colocado em prática, o Paysandu ainda tem uma missão imediata: buscar a classificação ao quadrangular da Série C e manter vivo o objetivo de retornar à Série B.
É nesse ponto que as duas frentes se encontram. O clube precisa resolver problemas estruturais sem deixar de competir por resultados no presente. Para Tuma, o caminho passa justamente por manter o foco na reorganização, independentemente das dificuldades encontradas durante o processo.
"Seguir em frente e estruturar o clube. Não tem mistério. Não estou inventando a pólvora. Ninguém está inventando a pólvora aqui. É só estruturar e investir na base", finalizou.

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