O momento de instabilidade vivido pelo Paysandu na Série C tem explicações que vão além dos resultados. Enquanto a equipe tenta reagir após perder três das últimas quatro partidas, uma ausência passou a pesar cada vez mais dentro de campo. Longe dos holofotes e das estatísticas ofensivas, Caio Mello virou um desfalque que os números ajudam a explicar.
Desde que o volante deixou o time por causa de uma lesão, o Papão perdeu organização, equilíbrio e regularidade. Não é coincidência. Embora Marcinho seja o jogador mais decisivo na criação, é Caio quem faz o sistema funcionar.
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É o camisa 8 quem acelera ou diminui o ritmo da partida, aproxima defesa e ataque, ocupa espaços e oferece sustentação para que os companheiros tenham liberdade para jogar.

Os números deixam esse impacto evidente. Com Caio Mello em campo, o Paysandu disputou sete partidas, venceu cinco e empatou duas. Permaneceu invicto, marcou 15 gols e sofreu apenas sete. O volante ainda contribuiu diretamente com dois gols e uma assistência, mas a importância vai muito além da participação ofensiva.
Já sem Caio, o cenário muda completamente. Nos cinco jogos em que ficou fora, o Paysandu venceu apenas uma vez, justamente diante do Maranhão, com um gol nos acréscimos. Nas outras quatro partidas, acumulou derrotas para Caxias, Figueirense, Inter de Limeira e Santa Cruz. O ataque produziu apenas quatro gols, enquanto a defesa foi vazada nove vezes.

Mais do que os resultados, a forma como o time passou a atuar chama atenção. O meio-campo perdeu compactação, a saída de bola ficou mais lenta e os espaços entre os setores aumentaram, com a equipe apresentando muitas dificuldades.
Caio Mello exerce uma função pouco perceptível para quem observa apenas os lances decisivos. É o volante que cobre as subidas dos laterais, fecha corredores, encurta a marcação e oferece a primeira opção de passe na construção das jogadas.
Quando ele está em campo, Marcinho recebe a bola em melhores condições para criar. Sem essa engrenagem, o meia passa a recuar mais e perde influência próximo da área adversária, ficando sobrecarregado.

A expectativa da comissão técnica é que o camisa 8 esteja à disposição para enfrentar o Ypiranga, no próximo domingo (5), às 11h, em Erechim, pela 13ª rodada da Série C. Ele segue o trabalho de transição após lesão na coxa.
Restando apenas sete rodadas para o fim da primeira fase, o Paysandu viu a vantagem construída nas primeiras semanas praticamente desaparecer e já sente a aproximação dos concorrentes na disputa por uma vaga no G-8.
Se a recuperação do Papão passa por ajustes defensivos, reforços e retomada da confiança, os números indicam que ela também passa pela volta de Caio Mello. Nem sempre o jogador mais importante é o que aparece nas manchetes. Às vezes, é justamente aquele cuja ausência faz toda a equipe deixar de funcionar.
Os números do Paysandu com e sem Caio Mello
Com Caio Mello em campo
- 7 jogos
- 5 vitórias
- 2 empates
- 0 derrotas
- Aproveitamento: 80,9%
- 15 gols marcados (média de 2,14 por jogo)
- 7 gols sofridos (média de 1,0 por jogo)
- Saldo: +8
- 2 gols e 1 assistência do volante
Sem Caio Mello
- 5 jogos
- 1 vitória
- 0 empates
- 4 derrotas
- Aproveitamento: 20%
- 4 gols marcados (média de 0,8 por jogo)
- 9 gols sofridos (média de 1,8 por jogo)
- Saldo: -5
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