A estreia do novo ciclo da Seleção Brasileira após a eliminação na Copa do Mundo terminou com empate por 1 a 1 diante da Austrália na manhã desta sexta-feira (25/09), no Queensland Country Bank Stadium, em Townsville. O gol de Rayan, já no último lance, evitou que o Brasil começasse a nova etapa com uma derrota.
Apesar da tentativa de Carlo Ancelotti em manter uma formação mais ofensiva, o time brasileiro voltou a apresentar dificuldades para dominar a partida e, quando teve volume, transformar a posse de bola em oportunidades claras.
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O treinador também manteve uma base conhecida: oito jogadores que estiveram na Copa do Mundo começaram a partida. A escolha indica continuidade na montagem da equipe, mas o desempenho diante dos australianos mostrou que o Brasil ainda precisa encontrar maior equilíbrio entre a estrutura ofensiva do 4-2-4 e a capacidade de criar espaços pelo meio.
O próximo compromisso será novamente contra a Austrália, desta vez na terça-feira (29/09), às 7h (de Brasília), no Suncorp Stadium, em Brisbane. A partida será a segunda entre as equipes nesta Data Fifa e servirá para Ancelotti testar novas alternativas após o primeiro confronto em Townsville.

1º Tempo: 4-2-4 de Ancelotti não encaixa
O 4-2-4 de Carlo Ancelotti encontrou dificuldades para funcionar nos primeiros 45 minutos contra a Austrália. Com apenas dois jogadores pelo centro, o Brasil ficou em desvantagem na disputa pelo meio e sofreu para encontrar saídas diante da pressão dos donos da casa.
Os donos da casa aproveitaram o cenário para controlar o início e empurrar a Seleção para trás. Faltou proximidade entre os setores, o que aumentou a dependência de lançamentos e dificultou a progressão com passes curtos. Hugo Souza ainda precisou trabalhar em chute de Irankunda.
Quando conseguiu avançar no campo, o Brasil encontrou Raphinha como uma das principais alternativas. O atacante teve a melhor oportunidade inicialmente, em lançamento de Danilo, mas cabeceou para defesa do goleiro. Aos 23 minutos, porém, os australianos já somavam 5 a 0 em escanteios.
A posse brasileira cresceu, mas não veio acompanhada de criatividade. Vinícius Junior e Estêvão tiveram pouca participação, enquanto Endrick e Raphinha buscaram mais o jogo. A dificuldade para atacar os espaços e a pouca conexão entre os jogadores impediram uma sequência de ataques mais consistente.
Na reta final, o Brasil conseguiu acelerar algumas jogadas. Vinícius buscou a bola mais atrás e iniciou a jogada que terminou em chute de Raphinha, enquanto Estêvão, Endrick e Bruno Guimarães participaram de boa triangulação dentro da área. O gol de Estêvão aos 45 minutos, porém, foi anulado após revisão do VAR por falta de Guimarães na origem do lance.
O primeiro tempo ficou abaixo do esperado, principalmente pela dificuldade na construção e pela pouca presença entre as linhas. A Austrália foi mais intensa na pressão, nas transições e na ocupação dos espaços, enquanto o Brasil só conseguiu equilibrar o jogo nos minutos finais.

2º Tempo: Irankunda decide e Ancelotti segue pressionado
Na volta do intervalo, o Brasil passou a controlar mais a posse, mas o problema central permaneceu: ter a bola não significava criar. A equipe ocupava o campo ofensivo, porém encontrava dificuldades para transformar a circulação em jogadas de perigo.
Aos 16 minutos, Ancelotti tentou alterar o funcionamento do meio-campo ao trocar Bruno Guimarães por Douglas Luiz. Pouco depois, em uma transição rápida, Vinícius acionou Raphinha, que finalizou de fora, mas Endrick e Estêvão apareciam livres pelo lado, mostrando que havia alternativas melhores para a jogada.
A sequência reforçou a dificuldade brasileira em tomar boas decisões no último terço. Vinícius recebeu em condição de mano a mano e finalizou bloqueado; no rebote, Estêvão também teve espaço, mas mandou por cima. Pedro e Samuel Lino entraram depois nas vagas de Vinícius e Endrick.
O cenário mudou aos 22 minutos, quando a Austrália encontrou uma solução individual para um jogo em que vinha sofrendo mais com a posse brasileira. Irankunda cobrou falta no ângulo, Hugo Souza não conseguiu reagir e o gol colocou novamente a Seleção diante da necessidade de buscar respostas ofensivas.

Ancelotti ainda promoveu novas mudanças aos 30 minutos, com as entradas de Rayan, Mauro Júnior e Jair nos lugares de Estêvão, Douglas Santos e Vitor Reis. Mesmo com as alterações e maior controle territorial, o Brasil continuou sem conseguir transformar posse em volume de finalizações.
A insistência acabou sendo premiada no último lance. Após escanteio cobrado por Raphinha, Rayan apareceu na área para marcar e arrancar o empate por 1 a 1, evitando uma derrota que deixaria uma impressão ainda mais negativa no primeiro teste do novo ciclo.
O resultado não apaga os problemas apresentados pela Seleção, principalmente na construção ofensiva e na ocupação do meio-campo. Ao mesmo tempo, o gol nos acréscimos permite que Ancelotti deixe Townsville com um empate e mais uma partida para testar alternativas diante da mesma Austrália.
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