O retorno do Clube do Remo à elite do futebol brasileiro, depois de décadas de espera, não está apenas mexendo com a torcida azulina e com o cenário esportivo nacional. O acesso do Leão à Série A de 2026 também provocou um efeito colateral direto nos bastidores do futebol brasileiro: um impasse bilionário no contrato de direitos de transmissão da Libra, a liga que reúne parte dos principais clubes do país, entre eles, o Leão Azul.
As informações são do jornalista Rodrigo Mattos, do UOL, que revela que, pelo modelo atual do acordo da Libra com a TV Globo, o valor global de R$ 1,170 bilhão não prevê reajuste automático em caso de entrada de um novo clube na Série A. Ou seja, mesmo com a chegada do Remo ao grupo, o bolo segue o mesmo e terá de ser dividido por mais equipes, reduzindo a fatia de cada uma.
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Hoje, a Libra terá 10 clubes na Série A de 2026: Palmeiras, São Paulo, Santos, Red Bull Bragantino, Flamengo, Bahia, Vitória, Grêmio, Atlético-MG e, agora, o Remo, que retorna ao cenário principal do futebol nacional com enorme impacto esportivo, social e comercial.
O problema está no fato de que o contrato foi redigido prevendo apenas o cenário negativo, com a queda de clubes, mas ignorou o cenário positivo, com a ascensão de um novo integrante. Pelo acordo, se um time da Libra cair e restarem apenas oito na Série A, há uma redução de 11% no valor. Porém, se um clube sobe, como ocorreu com o Remo, não há previsão de aumento do montante.
Falha estrutural no contrato
Na prática, isso significa que o sucesso esportivo do Remo acabou escancarando uma falha estrutural no contrato da própria Libra. A projeção interna da liga mostra que o clube que menos recebeu em 2025 foi o Red Bull Bragantino, com cerca de R$ 95 milhões. Se o Remo entrar no rateio recebendo algo em torno de R$ 90 milhões, cada clube do grupo teria uma redução média de aproximadamente R$ 10 milhões em suas receitas anuais, sendo que o valor dessa “perda” pode ser ainda maior conforme desempenho e audiência do Leão Azul.
Esse cenário provocou reação imediata do Flamengo, uma das lideranças do bloco. O clube enviou uma carta à cúpula da Libra exigindo uma solução e, posteriormente, entrou em contato direto com o executivo Silvio Mattos. Inicialmente, a Libra sinalizou que buscava um reajuste com a Globo. Depois, porém, o próprio Silvio admitiu que as negociações estão travadas, já que a emissora possui um contrato assinado que não a obriga a pagar mais.
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Sem resposta concreta, o Flamengo voltou a pressionar a diretoria institucional da Libra, formada por Julio Casares (ex-presidente do São Paulo) e André Rocha (Red Bull Bragantino). A exigência rubro-negra é que o contrato seja reajustado para R$ 1,3 bilhão mais inflação, garantindo que nenhum clube tenha redução de receita com a chegada do Remo.
Um detalhe importante: o Flamengo já havia alertado a Libra sobre esse risco ainda em fevereiro de 2025, mas, segundo o UOL, nada foi feito naquele momento. Mesmo assim, segundo apurado pelo colunista do portal, os clubes da Libra já assinaram um aditivo contratual incorporando o clube paraense ao contrato de direitos de transmissão; no entanto, o portal Mundo Bola Flamengo, que é especializado na cobertura da equipe carioca, trouxe a informação de que os rubro-negros teriam se negado a assinar o aditivo e só farão isso após a revisão dos valores de transmissão da Libra com a Globo. Até o momento, a cúpula da Libra não respondeu oficialmente aos questionamentos do Flamengo.
No centro desse impasse, o Remo aparece não como problema, mas como o símbolo de um sistema que não se preparou para lidar com o sucesso esportivo. O acesso do clube paraense revelou uma lacuna contratual que agora expõe a fragilidade do modelo da Libra e coloca o Leão Azul no centro de uma das maiores disputas comerciais do futebol brasileiro em 2026.
O DOL buscou um posicionamento do Clube do Remo sobre todo o imbróglio trazido na reportagem, mas, até o fechamento, não obteve retorno. O espaço segue aberto para atualização assim que o clube encaminhar manifestação oficial.
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