O gol de Garrincha na estreia parecia indicar que o Brasil seguiria forte na defesa do reinado mundial. Bicampeã das duas Copas anteriores, a Seleção desembarcou na Inglaterra em 1966 como a equipe a ser batida. O desfecho, porém, foi bem diferente do esperado.
A campanha começou com vitória sobre a Bulgária por 2 a 0, em Liverpool. Pelé e Garrincha balançaram as redes e ajudaram a construir um resultado que animou os torcedores brasileiros.
Conteúdo Relacionado:
- 1930: o começo da trajetória do Brasil em Copas
- 1934: viagem longa e despedida rápida da Seleção
- Brasil faz história em 1938 com campanha liderada por Leônidas
- 1950: o Mundial que levou o Brasil do sonho ao silêncio
- 1954: a Copa que marcou a estreia da camisa amarela
- Brasil conquista a primeira Copa com show de Pelé em 1958
Mas os problemas apareceram ainda naquela partida. Pelé foi alvo constante de faltas duras e deixou o gramado bastante castigado fisicamente. As consequências seriam sentidas poucos dias depois.
Sem o principal craque, o Brasil entrou em campo diante da Hungria pressionado a manter o embalo da estreia. O adversário abriu o placar logo nos primeiros minutos e complicou a situação brasileira.
Tostão chegou a empatar, mas os europeus controlaram boa parte do confronto e venceram por 3 a 1. O resultado deixou a classificação ameaçada e aumentou a tensão dentro da delegação.
Além da derrota, aquele duelo ficou marcado por outro motivo. Foi a última partida de Garrincha com a camisa da Seleção Brasileira. Um dos maiores nomes da história do futebol nacional encerrava a trajetória internacional após 55 jogos defendendo o país.

Leia Mais:
- Ronaldo, Pelé e mais: os reis de cada camisa na Copa
- De Bellini a Cafu: os capitães dos títulos do Brasil em Copas
- Guadalajara, Azteca e Dallas: memórias do Brasil em Copas
- Cinco títulos e muitos recordes: a trajetória do Brasil nas Copas
Com a necessidade de vencer para seguir viva no torneio, a comissão técnica promoveu uma ampla reformulação na equipe para o confronto decisivo contra Portugal.
Pelé voltou ao time, mas ainda longe das condições ideais. Visivelmente limitado pelas entradas sofridas na estreia, o camisa 10 encontrou dificuldades para liderar a reação brasileira.

O início da partida foi desastroso. Em apenas 20 minutos, Portugal abriu dois gols de vantagem e colocou a Seleção contra a parede.
Rildo ainda diminuiu a diferença e trouxe esperança aos brasileiros, mas a resposta portuguesa veio rapidamente. O terceiro gol selou a derrota e confirmou a eliminação ainda na fase de grupos.
A queda precoce representou um dos maiores fracassos da história da Seleção em Copas do Mundo até então. Depois de levantar os troféus em 1958 e 1962, o Brasil viu a hegemonia ser interrompida de forma inesperada.
O Mundial da Inglaterra também marcou o encerramento de uma era. Garrincha se despediu da Seleção, enquanto Pelé deixou o torneio frustrado pelas condições físicas que o impediram de atuar no melhor nível.
A reconstrução começaria nos anos seguintes. E, quatro anos depois, muitos daqueles aprendizados serviriam de base para uma das maiores equipes que o futebol já viu em campo.
Veja a convocação do Brasil para a Copa de 1966:
- Goleiros: Gilmar (Santos) e Manga (Botafogo);
- Defensores: Altair (Fluminense), Bellini (São Paulo), Brito (Vasco), Djalma Santos (Palmeiras), Fidélis (Bangu), Orlando Peçanha (Santos), Paulo Henrique (Flamengo) e Rildo (Botafogo);
- Meio-campistas: Denilson (Fluminense), Gerson (Botafogo), Lima (Santos) e Zito (Santos);
- Atacantes: Alcindo (Grêmio), Edu (Santos), Garrincha (Corinthians), Jairzinho (Botafogo), Paraná (São Paulo), Pelé (Santos), Silva (Flamengo) e Tostão (Cruzeiro).
- Técnico: Vicente Feola.

Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar