A flecha e o alvo: o cânone como movimento
A ideia de um “cânone” carrega consigo um peso marmóreo, algo derivado do grego kanónas, a régua ou vara que mede a perfeição. Frequentemente, as listas de “melhores de todos os tempos” parecem monumentos intocáveis em bibliotecas empoeiradas. Contudo, Cânone Gráfico I – Clássicos da literatura universal em quadrinhos, organizado por Russ Kick, subverte essa imobilidade ao tratar a literatura não como um túmulo, mas como um campo de forças. O projeto, que nasceu da inquietação de Kick após ler a adaptação de O Processo de Kafka, propõe uma pergunta central: o que acontece quando a autoridade do texto secular encontra a irreverência e a plasticidade dos quadrinhos?
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