Quando uma música toca em um show, o dinheiro gerado pelos direitos autorais vai parar na conta de quem a compôs, independentemente do que essa pessoa tenha feito fora dos palcos.
Foi com base nessa lógica que a Banda Halley tomou uma decisão pública e definitiva: retirar do repertório todas as composições de Bruno Mafra, ex-vocalista da banda Bruno & Trio, condenado em segunda instância pela Justiça do Estado do Pará a 30 anos de reclusão, em regime inicialmente fechado, pelo crime de estupro de vulnerável praticado contra as próprias duas filhas.
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O anúncio foi feito nas redes sociais e a decisão, segundo o pronunciamento oficial, foi unânime entre os membros da banda e a diretoria. No texto publicado, o grupo explicou de forma detalhada os motivos técnicos e éticos que embasaram a escolha.
A banda descreveu como funciona o fluxo de direitos autorais na música:
- Toda execução de uma música — em shows ao vivo, stories, vídeos no TikTok ou no YouTube — gera valores monitorados pelas plataformas digitais;
- Esses valores são acumulados e repassados diretamente ao compositor;
- Quanto mais a música é tocada, mais dinheiro chega ao autor.
Com base nisso, a conclusão do grupo foi direta: manter as músicas de Bruno Mafra no repertório equivaleria a ajudar a financiar um condenado por abuso sexual infantil — seja para custear sua defesa jurídica, seja para manter seu padrão de vida.
No comunicado, a Banda Halley encerrou com uma declaração de princípios: "Nossa música é alegria, é família e é respeito. Não compactuamos com quem fere esses princípios."
O crime e a condenação
Bruno Mafra foi condenado em segunda instância pela Justiça paraense pelo crime de estupro de vulnerável praticado contra suas duas filhas. A pena fixada foi de 30 anos de reclusão, a ser cumprida inicialmente em regime fechado.
A condenação em segunda instância representa mais um passo na consolidação da punição judicial ao artista, que já havia sido alvo de processo na primeira instância.
A atitude da Banda Halley se soma a um movimento crescente no meio artístico de revisão de repertórios e vínculos com nomes envolvidos em crimes graves, especialmente quando a continuidade desse vínculo implica benefício financeiro direto ao condenado.
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