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PATRIMÔNIO HISTÓRICO

Como construir novos empreendimentos sem apagar a história de Belém?

Historiador defende que o patrimônio histórico de Belém pode ser preservado sem impedir o crescimento urbano.

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Imagem ilustrativa da notícia Como construir novos empreendimentos sem apagar a história de Belém? camera Antiga mercearia no bairro do Umarizal fazia parte do patrimônio histórico de Belém e reacendeu o debate sobre como preservar a memória da cidade durante o desenvolvimento de novos empreendimentos. | ( Reprodução: Google Maps)

A demolição de um antigo complexo histórico localizado na avenida 14 de Março, esquina com a Boaventura da Silva, no bairro do Umarizal, reacendeu o debate sobre o patrimônio histórico de Belém. O imóvel, que durante décadas abrigou uma tradicional mercearia (conhecida popularmente como taberna), deu lugar a mais um empreendimento e levantou um questionamento: é possível construir uma cidade moderna sem apagar parte da sua história? Para o historiador Márcio Neco, a resposta é sim.

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Segundo o pesquisador, a sociedade belenense assistiu “de forma perplexa a mais um caso de violência e atentado contra o seu patrimônio”. Ele explica que a perda vai além da arquitetura, já que o imóvel também tinha importância pela atividade comercial desenvolvida ao longo de décadas.

“A dor por essa perda é dupla, pois além do local ter importância arquitetônica, também era importante pela atividade comercial que ali era cultivada. Tratava-se de uma antiga mercearia, ou mais popularmente uma taberna, que durante décadas esteve ali fazendo parte da paisagem urbana da cidade e servindo como local de vendas, sociabilidades e movimentação econômica”, afirma.

Para Márcio Neco, o desaparecimento de imóveis como esse provoca um sentimento coletivo de perda, pois eles ajudam a contar a história de Belém e fazem parte da identidade construída por gerações.

“A demolição deixa um ar de perplexidade em muitos moradores, pois a cada dia parece que perdemos um pouco mais da nossa própria identidade e paisagem urbana”, diz.

Como construir novos empreendimentos sem apagar a história de Belém?
📷 |( Reprodução: Google Maps)

O historiador resume esse impacto em uma reflexão sobre a memória da cidade. “Cada espaço concretado, abandonado ou demolido é uma página arrancada do imenso almanaque da nossa história.”

Desenvolvimento e preservação podem caminhar juntos

Apesar das demolições que têm marcado a transformação da paisagem urbana de Belém, Márcio Neco acredita que o crescimento da cidade não precisa acontecer às custas da destruição de imóveis históricos. Para ele, há alternativas capazes de conciliar novos empreendimentos com a preservação da memória.

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“O que deixa bastante desconforto é o fato de que existe perfeitamente a possibilidade de desenvolver projetos arquitetônicos capazes de conciliar modernidade e sofisticação com a preservação do patrimônio histórico”, destaca.

Segundo o historiador, diversos exemplos mostram que é possível integrar edificações antigas a projetos contemporâneos, preservando elementos arquitetônicos e culturais que contam a trajetória da cidade sem impedir sua evolução.

Ele ressalta que, frequentemente, as redes sociais registram casos em que décadas de história desaparecem em razão da especulação imobiliária, fazendo com que referências importantes da identidade urbana sejam substituídas por novas construções.

Entre essas perdas estão as antigas mercearias, cada vez mais raras em Belém. Para Márcio Neco, esses estabelecimentos representavam muito mais do que pontos comerciais.

“Aquele local não fazia parte da história da cidade apenas por sua estética ou monumentalidade, mas também por conta das atividades e sociabilidades que durante décadas foram ali produzidas”, explica.

Como construir novos empreendimentos sem apagar a história de Belém?
📷 |( Reprodução: Google Maps)

As antigas tabernas, segundo ele, preservam a memória de uma época em que o comércio de bairro era o principal motor da economia local.

“Guardava a memória em que a movimentação econômica da cidade tinha como elemento vetor as tabernas. Elas narram toda a história econômica de uma época. A cidade que ainda não possuía os grandes supermercados e os imensos atacadistas tinha nesses espaços as vendas a retalho, os famosos fiados, os trocos às vezes repassados com os bombons do baleiro e inúmeras construções sociais daqueles que faziam do balcão o local das conversas”, relembra.

Para o historiador, preservar imóveis históricos não significa impedir o desenvolvimento urbano. Pelo contrário, é uma forma de agregar identidade aos novos empreendimentos e manter viva a memória da cidade para as próximas gerações.

“Infelizmente, as mercearias estão desaparecendo do cenário urbano, perdendo a batalha para as grandes construtoras e permanecendo vivas na história econômica da cidade e na memória afetiva da população”, conclui.

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