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VALORIZAÇÃO DA CULTURA PARAENSE

Abridores de letras são reconhecidos como patrimônio cultural no Pará

Lei reconhece ofício dos abridores de letras e valoriza tradição ribeirinha que há cerca de um século marca a identidade amazônica

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Imagem ilustrativa da notícia Abridores de letras são reconhecidos como patrimônio cultural no Pará camera Lei representa um avanço importante na valorização da cultura popular paraense e dos mestres que preservam esse conhecimento. | Nailana Thiely/Reprodução/Ascom UFPA

A tradição das letras de barco e o trabalho dos abridores de letras, elementos há décadas associados à parte da identidade amazônica, foram oficialmente reconhecidos como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Estado do Pará. A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado e formalizada pela Lei nº 11.627, nesta quarta-feira (1°/07).

De autoria do deputado estadual Bordalo, a legislação foi aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa) e sancionada pela governadora Hana Ghassan na mesma data da publicação. O reconhecimento abrange tanto o saber tradicional dos profissionais que atuam nos municípios ribeirinhos quanto as próprias inscrições artísticas feitas nas embarcações da região.

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Os abridores de letra são artistas populares, em grande parte autodidatas, que desenvolveram técnicas próprias para pintar nomes, frases e ornamentos em barcos, além de muros e fachadas. Essas técnicas, surgiram de uma necessidade funcional que com o tempo acabou se transformando em manifestação artística presente no cotidiano das comunidades ribeirinhas. Com traços característicos, cores vibrantes e forte detalhamento, atualmente essas letras são considerada uma das expressões mais marcantes da identidade visual da região amazônica.

Além da identificação das embarcações, as chamdas letras de barcos carregam referências afetivas, religiosas e culturais, com nomes que frequentemente homenageiam familiares, santos e elementos da natureza, e que buscam refletir a relação das populações amazônicas com os rios que cercam a região.

Segundo os historiadores e relatos de comunidades tradicionais, a origem da prática se deu por volta 1925, quando a Capitania dos Portos passou a exigir a identificação das embarcações que circulavam pelos rios da região. Contudo, ao longo do tempo, o cumprimento da norma deu lugar a uma linguagem visual própria dos ribeirinhos, marcada pela criatividade e pela ornamentação, que foi sendo transmitido entre gerações.

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Com a nova Lei, o Estado busca reforçar ações de preservação, documentação e difusão da tradição, além de incentivar a transmissão do conhecimento às novas gerações, e se junta a outras iniciativas que possuem um papel relevante no reconhecimento e valorização das expressões culturais populares que ajudam a compor a identidade histórica e artística da região amazônica.

Abridores de letras são reconhecidos como patrimônio cultural no Pará
📷 |Diário Oficial do Estado
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