A Beija-Flor de Nilópolis anunciou o enredo que levará para a Marquês de Sapucaí no Carnaval de 2027. Com o título “Zeneida: O Sopro do Pó de Louro”, a escola vai abordar a trajetória de Zeneida Lima, reconhecida como a última pajé marajoara e referência cultural do arquipélago do Marajó, no Pará.
A escolha ocorre após o vice-campeonato conquistado em 2026 com o enredo “Bembé”. Para o próximo desfile, a agremiação direciona o foco à região Norte e propõe um recorte centrado na ancestralidade e nos saberes tradicionais da cultura marajoara.
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A relação entre a Beija-Flor e Zeneida Lima não é de agora. Em 1998, o livro "O Mundo Místico dos Caruanas da Ilha do Marajó", que registra a trajetória da pajé, já havia servindo de base para o desfile que garantiu o título de campeã da escola.
Em 2027, quase 30 anos depois, a agremiação retoma esse vínculo com a pajé marajoara, só que desta vez colocando a própria história de vida de Zeneida como eixo central do enredo.
Reconhecimento de Zeneida Lima
Zeneida Lima reúne diferentes atuações ao longo da trajetória. Além de pajé, ela também é compositora, escritora, poeta, ambientalista e ativista social, com trabalhos voltados principalmente à preservação de conhecimentos tradicionais e à formação de novas gerações.
Ela também é responsável pela Instituição Caruanas do Marajó Cultura e Ecologia (ICMCE), que atende cerca de 180 crianças e adolescentes com atividades educacionais, culturais e ambientais na região.
Além disso, ela já foi reconhecida com o título de Doutora Honoris Causa concedido em 2021 pela Universidade do Estado do Pará e teve a história retratada também no cinema no filme "Encantados", dirigido por Tizuka Yamasaki.
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Como parte da preparação do desfile, a equipe da Beija-Flor revelou que realiza pesquisa de campo em Soure, no Marajó, com o objetivo de aprofundar o contato com o território e com a trajetória da homenageada.
O enredo será desenvolvido pelo carnavalesco João Vitor Araújo, em parceria com os pesquisadores Vivian Pereira, Guilherme Niegro e Bruno Laurato. “É um mergulho na encantaria marajoara e na força simbólica dos Caruanas. A ideia é transformar em desfile a potência espiritual e a trajetória de Zeneida”, afirma João Vitor Araújo.
Para o presidente da Beija-Flor, Almir Reis, a escolha do enredo reforça a identidade da agremiação e a ligação com a cultura brasileira. “Zeneida é da família Beija-Flor. Desde 1998, esse elo nunca se rompeu. Retomar sua história agora é celebrar esse reencontro e reafirmar nossa identidade com as raízes do Brasil”, destaca.
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