O Centro Cultural Bienal das Amazônias (CCBA) retoma sua agenda cultural em 2026 no próximo dia 13 de março, com a abertura simultânea de duas exposições inéditas e gratuitas. As mostras ocuparão diferentes espaços do prédio localizado no bairro do Comércio, em Belém.
No térreo, o público poderá visitar a exposição “Meu Tema Sou Eu”, do artista paraense Emmanuel Nassar, com curadoria de Vânia Leal. Já no primeiro piso será apresentada “A vida não é paisagem”, assinada pelos fotógrafos Nay Jinknss e Bruno Jungmann, sob curadoria de Keyna Eleison.
As exposições integram a programação cultural do espaço e contam com apoio institucional e realização por meio de mecanismos de incentivo à cultura.
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Trajetória e memória na obra de Emmanuel Nassar
Reconhecido nacional e internacionalmente, Emmanuel Nassar retorna ao CCBA após forte presença recente no circuito cultural local. Em 2023, participou da primeira edição da Bienal das Amazônias e, em 2024, lançou uma monografia dedicada à sua trajetória e apresentou a instalação 18 Chapas, ampliando o acesso do público à sua produção.
A nova mostra reúne diferentes momentos da carreira do artista, com obras das décadas de 1980 e 1990 pertencentes a colecionadores particulares, além de trabalhos recentes e instalações emblemáticas. Entre elas estão as chapas metálicas da série 18 Chapas, bandeiras inspiradas em Brasil em Chamas (1998), a Pirâmide de Tambores, o Carrinho Amarelo e a instalação Lataria Espacial (2022).
Para o artista, a exposição representa um percurso afetivo e coletivo. Nassar define a mostra como uma síntese de sua trajetória artística construída em diálogo com a cidade e com o público que acompanha sua produção ao longo dos anos.
“Para um artista com mais de 70 anos como eu, toda mostra é uma retrospectiva. E esta, no CCBA, é muito especial porque marca um reencontro com o público local e, em particular, com amigos colecionadores de boas lembranças”, afirma Nassar.
Segundo a curadora Vânia Leal, o processo curatorial tem sido também um exercício de proximidade crítica. Acompanhar um artista com trajetória consolidada implica lidar com diferentes camadas de tempo, memória da cidade e da própria história da arte brasileira.
“Emmanuel é um artista de enorme relevância, e o que mais me mobiliza é a responsabilidade de sustentar um diálogo à altura da complexidade de seu trabalho”, afirma.
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Fotografia e deslocamentos em “A vida não é paisagem”
No primeiro piso, a exposição “A vida não é paisagem” propõe um diálogo visual entre territórios e experiências. A paraense Nay Jinknss e o pernambucano Bruno Jungmann fotografam tanto em seus locais de origem quanto nos territórios um do outro, explorando perspectivas cruzadas sobre pertencimento e convivência.
De acordo com a curadora Keyna Eleison, o projeto parte da ideia de que o deslocamento produz novas formas de olhar sem romper vínculos culturais. As imagens, mais do que registros documentais, afirmam a vida como experiência compartilhada e prática coletiva.
“Longe da imagem exótica ou do registro distanciado, o que se revela é um hábito atravessado por gestos, afetos, crenças e formas coletivas de existir. O que se vê aqui é um cotidiano que pulsa, inventa e se reconhece em seus próprios rituais”, destaca a curadora. “Mais do que documentar situações, as fotografias reunidas afirmam a vida como relação, como saber sensível e como prática coletiva. Porque aqui, a vida não é paisagem: é presença”, afirma Keyna.
Para Nay Jinknss, participar da exposição em Belém representa um momento importante de reconhecimento pessoal e profissional, reunindo fotografia, educação e trajetória artística em sua cidade natal. Já Bruno Jungmann destaca que a mostra marca um momento significativo em sua carreira, sendo sua primeira exposição na região Norte e uma oportunidade de compartilhar experiências culturais entre Pará e Pernambuco.
Espaço de reencontros
A abertura das exposições marca oficialmente a retomada da programação cultural do CCBA em 2026, reafirmando o espaço como ponto de encontro entre diferentes linguagens artísticas e produções contemporâneas da Amazônia e de outras regiões do país.
Para Lívia Condurú, presidente fundadora da Bienal das Amazônias, o centro cultural entra em uma nova fase com o objetivo de se aproximar ainda mais da cidade.
“Queremos que a cidade nos reconheça como um ponto de encontro da coletividade, onde nosso espaço, com programações gratuitas, reverbere o bairro que o abriga: um território onde as diferenças convivem, onde a dissonância é potência criativa”, sintetiza Lívia.
SERVIÇO:
Reabertura da programação do CCBA na temporada 2026/1 com as exposições “Meu Tema Sou Eu”, de Emmanuel Nassar (curadoria: Vânia Leal) e “A vida não é paisagem”, de Nay Jinknss e Bruno Jungmann (curadoria: Keyna Eleison).
- Local: Rua Senador Manoel Barata, 400 - Comércio, Belém (PA) - Centro Cultural Bienal das Amazônias (CCBA).
- Período: 13 de março a 30 de junho de 2026.
- Horário de funcionamento: quartas e quintas das 9h às 17h; sextas e sábados das 10h às 20h; domingos e feriados das 10h às 15h.
- Entrada: gratuita.
- Classificação: Livre
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