O vereador Anderson Moratório, presidente da Câmara Municipal de Parauapebas (CMP), assumiu também a presidência municipal do Partido Renovação Democrática (PRD) em meio a um embate político que envolve disputas internas, acordos partidários e o papel das instâncias nacionais na condução da legenda no município.
Nos últimos dias, passaram a circular versões que atribuem a lideranças locais uma suposta “retirada” do PRD da esfera de influência do vice-prefeito Chico das Cortinas. De acordo com informações e documentos partidários, porém, a mudança não teve origem em articulação local.
Decisão partiu da direção nacional
Registros internos e posicionamentos oficiais indicam que a reorganização do PRD em Parauapebas foi determinada exclusivamente pela Direção Nacional do partido. A medida não teve como objetivo retirar a legenda de Chico das Cortinas, mas afastá-la da influência política do prefeito Aurélio Goiano.
Segundo a avaliação nacional, o PRD vinha sendo utilizado de forma circunstancial pelo Executivo municipal, sem respeito à autonomia partidária, às instâncias internas e às direções formalmente constituídas. O entendimento foi de que o partido não aceita ser mobilizado em períodos eleitorais e posteriormente afastado das decisões políticas e administrativas.
Apoio eleitoral e compromissos não cumpridos
Durante a última eleição municipal, o PRD participou ativamente da coligação que elegeu Aurélio Goiano. O partido investiu recursos do Fundo Partidário, disponibilizou estrutura, militância e quadros técnicos, além de firmar compromissos políticos com as direções estadual e nacional.
Conforme dirigentes partidários, esses acordos não foram cumpridos após a eleição. O cenário teria sido agravado pela atuação do então presidente municipal, Chico das Cortinas, apontado como omisso diante do distanciamento do partido das decisões estratégicas do governo.
Bastidores e influência do Executivo
Relatos de filiados e dirigentes apontam que o rompimento ocorreu após o enfraquecimento do diálogo institucional, a desvalorização de lideranças que participaram da campanha e a submissão do diretório local a interesses do Executivo. Também é citada a influência direta do prefeito Aurélio Goiano e do secretário de Finanças, Glauton Souza, na condução partidária local.
Episódio anterior reforça disputa interna
Um episódio ocorrido durante o período eleitoral também é citado como parte do contexto atual. À época, Chico das Cortinas e Aurélio Goiano, por articulação atribuída a Glauton Souza, promoveram a retirada da presidência do PRD de Marluce Santos e do empresário Léo, sem diálogo interno.
Naquele momento, a mudança foi tratada como “normal” e justificada como “ajuste político”. Agora, a reorganização conduzida pela Direção Nacional passou a ser classificada por setores locais como “traição”, apesar de ter origem em decisão externa ao grupo municipal.
Perseguição política e impactos na gestão
Observadores políticos também apontam a existência de perseguição a servidores técnicos que atuaram na campanha de Aurélio Goiano e que estariam sendo afastados por razões políticas. A prática teria reflexos diretos na administração municipal, especialmente em áreas como a educação pública.
Mandato vencido e questionamentos públicos
Outro ponto destacado é que a Comissão Provisória do PRD em Parauapebas estava com mandato vencido ao final de 2025, o que exigia providências administrativas da Direção Nacional. Diante disso, o partido avalia que acusações de “golpe” não encontram respaldo jurídico ou estatutário.
As manifestações públicas de Chico das Cortinas, segundo a legenda, foram formalmente esvaziadas pela instância nacional, que reconheceu a perda de legitimidade da condução anterior.
Nomeação de Anderson Moratório
Diante do impasse, a Direção Nacional decidiu pela reorganização do partido sob uma nova liderança local. O vereador Anderson Moratório, mais votado da legenda e atual presidente da Câmara, foi nomeado presidente municipal do PRD por decisão soberana da instância nacional.
Segundo o partido, a medida tem respaldo legal, estatutário e político, com o objetivo de restabelecer o diálogo interno, a autonomia partidária e o funcionamento regular das instâncias locais.
O PRD Nacional reforçou, em nota oficial, que a decisão é institucional e não representa ruptura oportunista, mas uma reorganização baseada no estatuto e na democracia interna. Qualquer versão divergente, afirma a legenda, atende mais a disputas de narrativa do que aos fatos.
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar