A comunidade de Valpaços, no distrito de Vila Real, ao norte de Portugal, vive dias de profunda consternação após a revelação dos detalhes que envolveram a trágica morte de Lara, uma menina de apenas 8 anos de idade.
Horas antes do início do velório da criança, o pai da vítima, Carlos, quebrou o silêncio e falou de forma breve com diversos veículos da imprensa local. Visivelmente abalado e sob forte impacto emocional, ele pediu que os diálogos não fossem gravados por câmeras, mas algumas de suas declarações repercutiram intensamente nas emissoras de televisão do país.
Em um desabafo doloroso, Carlos expressou a sua completa perplexidade diante da companheira, apontada pelas autoridades policiais como a única responsável pelo homicídio. “Ela não é minha mulher. Agora, é uma desconhecida”, desabafou o pai, tentando assimilar a gravidade dos fatos ocorridos no seio familiar.
Veja também:
- Polícia prende suspeito de assassinar casal de professores no Pará
- Não há relação entre barragem e tremores, dizem especialistas
- Vídeo: PF desarticula garimpo na Terra Indígena Kayapó no Pará
Ele também ressaltou a impossibilidade de superar a perda precoce da filha em circunstâncias tão violentas, acrescentando que “o que ela fez não tem perdão” e que “ninguém pode tirar-me esta dor”.
O caso, que chocou a opinião pública em Portugal e repercutiu internacionalmente, começou a ser desvendado após a localização do corpo da menina em uma área isolada de vegetação na Serra da Padrela, pertencente ao município vizinho de Vila Pouca de Aguiar.

A madrasta de Lara, Eulália, de 48 anos, confessou a autoria do crime à Polícia Judiciária e forneceu as coordenadas exatas do local onde havia ocultado o cadáver da enteada. De acordo com as informações preliminares fornecidas pelos investigadores, a mulher admitiu ter utilizado as próprias mãos para asfixiar e tirar a vida da criança.
Detalhes de um crime planejado
Os levantamentos iniciais da investigação policial indicam que a ação criminosa foi executada de maneira premeditada. Na manhã da última quarta-feira, Lara chegou a embarcar rotineiramente no transporte escolar em direção ao colégio.
No entanto, Eulália compareceu ao estabelecimento de ensino antes do início das atividades pedagógicas e convenceu os responsáveis a liberarem a aluna, sob a falsa alegação de que a levaria a uma consulta médica de urgência. A menina inicialmente apresentou resistência em deixar a escola, mas acabou cedendo após a madrasta prometer que lhe compraria um lanche no caminho.
A motivação por trás do homicídio brutal está sendo associada a graves conflitos no ambiente familiar. Conforme as apurações da Polícia Judiciária, o relacionamento conjugal entre Carlos e Eulália passava por períodos de forte instabilidade, marcados por discussões constantes e separações temporárias.
Além disso, os investigadores avaliam que um desentendimento recente envolvendo a vítima e o filho da agressora possa ter atuado como estopim para o crime. Submetida à audiência de custódia na última sexta-feira, Eulália teve a sua prisão preventiva decretada e mantida pela Justiça portuguesa.
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar