A Coreia do Sul abriu uma investigação nesta terça-feira (6) para apurar uma série de ataques cibernéticos contra pelo menos sete instituições financeiras do país. O diferencial das invasões é o uso suspeito de inteligência artificial (IA) pelos criminosos para mapear brechas de segurança, o que resultou na exposição dos dados pessoais de mais de 68 mil pessoas. O caso, que gera alerta sobre o novo perfil do crime digital, foi confirmado pelo presidente sul-coreano, Lee Jae Myung.
Em vez de focar nas robustas redes principais de pagamento dos bancos, os invasores adotaram uma tática indireta: exploraram falhas em sistemas de correspondentes de crédito e de prestadores de serviços terceirizados.
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O caso de maior impacto ocorreu no Shinhan Bank, onde as informações de 25 mil clientes, incluindo nomes, telefones e renda anual, foram comprometidas. O Yegaram Savings Bank também foi alvo, registrando a exposição de dados de aproximadamente 40 mil contas. Apesar do vazamento massivo, as autoridades informaram que, até o momento, não houve registro de saques ou transferências indevidas.
A polícia sul-coreana formou uma força-tarefa com 28 especialistas para rastrear a origem das invasões. A investigação esbarra na dificuldade imposta pelo uso de servidores internacionais comprometidos, que atuam como intermediários e ocultam a localização real dos criminosos.
Especialistas que auxiliam no caso, incluindo o diretor do Genians Security Center, Moon Jong-hyun, encontraram indícios de que os hackers utilizaram o Artex — um programa de código aberto baseado em IA generativa criado especificamente para localizar e testar vulnerabilidades estruturais em sistemas de forma automatizada.
O uso da tecnologia para o crime gerou o que o presidente Lee Jae Myung descreveu como "considerável ansiedade na população". Como resposta imediata, o governo estabeleceu uma operação emergencial de 24 horas, ordenando que provedores de nuvem bloqueiem acessos vindos de endereços de IP estrangeiros considerados suspeitos.
Lee Eog-weon, presidente da Comissão de Serviços Financeiros, declarou estado de vigilância máxima no setor e afirmou que a solução é tecnológica: o país precisa desenvolver sistemas capazes de usar inteligência artificial para se defender de ataques com a mesma tecnologia.
A preocupação com a segurança não se restringe à Ásia. A sofisticação das fraudes digitais impulsionadas por novos algoritmos tem feito vítimas em escala global. Recentemente, criminosos utilizaram IA para criar falsificação de identidade corporativa e enganar funcionários do banco privado italiano Fideuram, conseguindo desviar 95 milhões de euros, o equivalente a cerca de R$ 532 milhões. Os responsáveis pelas invasões sul-coreanas ainda não foram identificados.
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