Os Estados Unidos confirmaram as duas primeiras mortes por sarampo registradas neste ano. As vítimas eram moradoras não vacinadas do Condado de Lancaster, na Pensilvânia, conforme informado pelo Departamento de Saúde do estado. O órgão não divulgou informações de idade ou sexo dos pacientes por questões de privacidade.
Os óbitos representam um marco preocupante para a Pensilvânia, que não registrava falecimentos decorrentes da doença há 35 anos.
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Aumento de casos e queda na vacinação
O país enfrenta um surto expressivo de sarampo. Dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) indicam que já foram confirmados 2.777 casos da doença até o momento em 2026, superando os 2.289 registros contabilizados ao longo de todo o ano de 2025, período em que três mortes foram notificadas.
Altamente contagioso e transmitido pelo ar por meio de tosses, espirros ou respiração, o vírus do sarampo pode permanecer ativo em superfícies e no ar por até duas horas após a passagem de uma pessoa infectada. A principal forma de prevenção é a vacina tríplice viral (que também protege contra caxumba e rubéola), capaz de evitar 97% dos casos.
Especialistas alertam que a cobertura vacinal infantil nos EUA caiu de mais de 95% em 2020 para menos de 93% atualmente. A taxa de 95% é o patamar mínimo recomendado pelas autoridades sanitárias para assegurar a imunidade coletiva.
Debates e ordens executivas
A diminuição da taxa de imunização tem sido impulsionada por debates políticos e retóricas antivacina. Em 10 de agosto, o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva reformulando o calendário de vacinação infantil, defendendo a substituição da tríplice viral por aplicações isoladas para cada doença sob alegação de "risco de morte", sem apresentar comprovação científica ou dados epidemiológicos.
O discurso também resgatou a associação sem base científica entre vacinas e o autismo — tese originada em um estudo fraudulento de 1998, posteriormente retratado e desmentido por pesquisas globais da Organização Mundial da Saúde (OMS).
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