"Dói mais o pensamento de terminar do que o ato de violência em si". Esta frase resume o diagnóstico de milhares de mulheres que vivem sob o domínio da dependência emocional. O fenômeno, que atua como um catalisador para a agressão física e o alarmante número de feminicídios no país, não é uma escolha da vítima, mas um aprisionamento psicológico alimentado pela manipulação do parceiro.
A dependência começa de forma sutil, enraizada na crença de que "ninguém me amará como ele". Com o tempo, a agressão — seja verbal ou física — passa a ser minimizada pela vítima, cujo maior temor é o abandono.
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O Ciclo nas Telas: Hailey e Justin Bieber
Exemplos no mundo das celebridades ajudam a ilustrar como o status e o "amor idealizado" podem mascarar o sofrimento. O casamento de Hailey e Justin Bieber é frequentemente citado por internautas e analistas de comportamento. Hailey, que realizou o "sonho" de casar com seu ídolo, enfrenta o alto preço dessa união.
Embora as redes sociais exibam recortes de afeto, flagras e vídeos de bastidores mostram um lado sombrio: ocasiões em que o cantor a ignora, demonstra impaciência ou chega a ser ríspido fisicamente em público. Para muitos especialistas, a modelo parece presa à ideia de uma devoção incondicional, vendo-se incapaz de romper o ciclo, apesar dos sinais de desgaste.
Sobrevivência e Caos: A união de Ozzy e Sharon Osbourne
Outro caso emblemático é a relação de décadas entre o astro do rock Ozzy Osbourne e sua esposa, Sharon. O relacionamento, marcado por abusos de substâncias e episódios de violência extrema — incluindo uma tentativa de estrangulamento por parte de Ozzy em 1989 —, sobreviveu a cenários que muitos considerariam fatais. Sharon assumiu o papel de "salvadora" e gestora da carreira do marido, fundindo sua identidade pessoal à sobrevivência dele. Embora o casal tenha permanecido unido, a história é um exemplo clássico de como a dependência mútua e o trauma compartilhado criam laços difíceis de desatar, mesmo quando a integridade física é colocada em xeque.
O que dizem os especialistas
Psicólogos explicam que a dependência emocional funciona de forma semelhante ao vício químico. O cérebro da vítima foca nos momentos de "lua de mel" do relacionamento para suportar os períodos de abuso. "Não se trata de falta de caráter ou de força de vontade, mas de uma desestruturação da autoestima provocada pelo agressor", afirmam especialistas.
A dependência emocional retira a percepção de autonomia da mulher, fazendo-a acreditar que ela não possui valor ou recursos para sobreviver fora daquela relação. É esse mecanismo que impede a denúncia e mantém a vítima vulnerável ao agravamento da violência.
Como romper o ciclo
Reconhecer-se em um relacionamento dependente é o primeiro e mais difícil passo. É fundamental entender que a culpa nunca é da vítima, mas de quem exerce a agressão. O suporte profissional, por meio de terapia, e o apoio de redes de acolhimento são ferramentas essenciais para a reconstrução da identidade e da segurança.
Se você ou alguém que você conhece está vivendo uma situação de violência ou dependência, não se cale.
Canais de Apoio:
• Central de Atendimento à Mulher: Ligue 180
• Polícia Militar: Ligue 190
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