A tragédia que vitimou o pequeno Oliver Golden Grayson, de três anos, morto após ser brutalmente espancado pelo próprio pai por não lhe desejar "bom dia", ganhou contornos mais sombrios com o avanço das investigações da polícia.
O crime, ocorrido na região de Viamão (RS), revelou um duro histórico familiar de agressões físicas e psicológicas sistemáticas contra as crianças, justificadas pelos pais sob um preceito deturpado de disciplina cultural e religiosa.
No centro das novas apurações conduzidas pela Polícia Civil está a mãe do menino, Mayanna Angelina Rodgers. Assim como o marido, o norte-americano Dandre Jermaine Grayson — que se apresentava perante a comunidade como missionário evangélico —, ela encontra-se atualmente presa.
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O casal, que vivia no Brasil há quase uma década e passou por Santa Catarina e São Paulo antes de se estabelecer no território gaúcho, dependia majoritariamente de doações de fiéis para garantir o sustento da casa e da prole de cinco filhos, com idades que variavam entre um e nove anos.
A imagem de família devota e necessitada, no entanto, escondia uma dura rotina longe dos olhos do público. De acordo com a delegada Luana Medeiros, levantamentos apontaram a existência de registros policiais anteriores em outros estados e acompanhamentos prévios realizados por Conselhos Tutelares.
Em um dos episódios descobertos e formalizados em Águas de Lindoia (SP), a própria mãe teria espancado um dos filhos utilizando um cinto. O inquérito policial relata que as violências serviam como uma corriqueira ferramenta de punição e suposta forma rígida de educar os mais novos.
As múltiplas lesões que tiraram a vida do pequeno Oliver evidenciaram a brutalidade final à qual os menores eram submetidos na residência. O menino deu entrada na unidade de saúde levado pelo próprio pai, após sofrer agressões com socos na região do abdômen e ter a cabeça repetidamente batida contra o chão.

A prisão em flagrante do homem foi rapidamente convertida em preventiva pela Justiça que, na sequência do inquérito, também determinou o imediato encarceramento de Mayanna.
Em contraponto frontal às acusações sobre a conivência e a participação ativa no sofrimento das crianças, a defesa da mãe argumenta que ela não era uma agressora voluntária, mas sim uma mulher mantida em profundo estado de vulnerabilidade.
Segundo a equipe de advogados constituída para o caso, Mayanna figura como vítima de um grave contexto de violência doméstica física, emocional e espiritual perpetrada pelo marido. O grupo pede que não haja julgamento social antecipado até que a dinâmica do casal e todos os fatos criminosos sejam totalmente elucidados no curso da investigação.
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