Satélites, radares e boias marítimas já detectaram uma bolha de água quente em movimento pelo Oceano Pacífico Equatorial, confirmando que um novo episódio do El Niño está se instalando. O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento da superfície do mar em pelo menos 0,5 °C acima da média por três meses consecutivos — condição observada desde fevereiro deste ano.
Embora cientistas evitem o termo "super El Niño", a Organização Meteorológica Mundial (OMM) calcula em 90% a probabilidade de o evento atingir uma intensidade de moderada a forte. O grande dilema atual dos meteorologistas é identificar o ponto exato do oceano onde ocorrerá o aquecimento máximo, fator que ditará a gravidade e a distribuição dos impactos climáticos no território brasileiro.
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Previsões e riscos regionais
Os primeiros reflexos na atmosfera devem se consolidar a partir da primavera. Especialistas apontam que os efeitos tendem a interagir com uma atmosfera global que já se encontra mais quente devido às mudanças climáticas:
• Região Sul: Expectativa de um aumento expressivo no volume de chuvas a partir da primavera. O cenário preocupa autoridades devido ao histórico recente de inundações severas na região.
• Norte e Nordeste: Tendência de agravamento da seca ao longo do inverno e no início do verão. Na Amazônia, o clima estio acende o alerta para o avanço de queimadas florestais.
• Economia e Safra: O Congresso Nacional acompanha os desdobramentos, temendo prejuízos ao agronegócio. A safra atual de grãos está estimada em 356 milhões de toneladas (alta de 1,2%), e o clima instável pode ameaçar a produtividade.
Gargalos na prevenção e falta de investimentos
Apesar do monitoramento diário realizado pela Defesa Civil da União em conjunto com o Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden), analistas criticam a postura reativa do poder público.
Atraso estrutural: Dados oficiais apontam que estados historicamente vulneráveis falham em executar verbas de proteção. Em Santa Catarina, por exemplo, que decretou alerta climático até novembro, apenas 15,4% do orçamento da Defesa Civil foi executado no ano passado, enquanto as obras de reforma e ampliação de barragens receberam reles 0,66% do total empenhado.
Sociólogos e lideranças comunitárias alertam que as periferias e áreas de risco seguem desamparadas e sem planos de resiliência contínuos. Para os especialistas, a preparação urbana deveria ser uma agenda de planejamento fixa e independente de avisos meteorológicos isolados.
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