Um relatório internacional da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgado nesta terça-feira (5), acende um alerta sobre o desenvolvimento infantil no Brasil.
O estudo IELS-2025, realizado nos estados do Ceará, Pará e São Paulo, indica que mais da metade das famílias (53%) nunca ou quase nunca leem livros para seus filhos de 5 anos. Enquanto a média mundial para leitura frequente (de 3 a 7 vezes por semana) é de 54%, no recorte brasileiro esse índice cai para apenas 14%. O pesquisador Tiago Bartholo, da UFRJ, destaca que a falta deste estímulo compromete diretamente o bem-estar e o processo de alfabetização.
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Os principais pontos do estudo
O levantamento avaliou crianças em três áreas fundamentais: aprendizagem (linguagem e matemática), funções executivas (autorregulação e memória) e habilidades socioemocionais (empatia e confiança).
• Desigualdade Precoce: A pesquisa evidenciou que crianças pretas, pardas, indígenas e de menor nível socioeconômico enfrentam maiores barreiras. Em matemática (numeracia), a diferença entre crianças brancas e pretas chega a 40 pontos.
• Domínio de Linguagem: Um ponto positivo foi a pontuação em literacia emergente (linguagem oral), que ficou ligeiramente acima da média internacional, impulsionada por políticas recentes de formação de professores.
• Uso de Telas: O Brasil supera a média internacional no uso diário de dispositivos digitais. 50,4% das crianças usam celular ou tablet todos os dias, mas apenas 19% utilizam esses aparelhos para atividades educativas.
• Atividades ao Ar Livre: Apenas 37% das famílias realizam atividades fora de casa com frequência, índice inferior aos 46% da média global da OCDE.
Funções Executivas e Diálogo
O estudo também revelou que os pequenos brasileiros saem-se pior em tarefas que exigem memória de trabalho e flexibilidade mental. Além disso, as famílias brasileiras conversam menos sobre sentimentos com os filhos (56%) em comparação à média internacional (76%). Os pesquisadores defendem que os resultados devem guiar novas políticas públicas intersetoriais, unindo educação, saúde e proteção social para reduzir as disparidades que começam antes mesmo do ensino fundamental.
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