Quem enfrenta infecções urinárias repetidas pode perceber que o problema também aparece entre familiares e se perguntar se existe uma relação genética. Pesquisas na área de genômica indicam que a hereditariedade pode, sim, influenciar a suscetibilidade às infecções do trato urinário (ITUs), mas não determina sozinha quem terá a doença.
Entre os principais causadores está a bactéria Escherichia coli uropatogênica, responsável pela maioria dos casos. Segundo especialistas ouvidos pelo Metrópoles, algumas características genéticas podem interferir na proteção do trato urinário e na resposta do sistema imunológico à presença desses microrganismos.
Como a genética influencia a infecção urinária?
O trato urinário possui barreiras naturais que dificultam a fixação e a multiplicação de bactérias. Algumas variantes genéticas podem interferir no funcionamento do urotélio, tecido que reveste parte do sistema urinário, e também na resposta da imunidade inata, tornando determinadas pessoas mais suscetíveis a infecções recorrentes.
Veja também
- Geração Z evita dates por causa do dinheiro, diz pesquisa
- Tem dois empregos? Veja como evitar desconto maior no INSS
- SUS pode incorporar canetas contra a obesidade
Pesquisas genômicas já identificaram diferentes regiões do DNA associadas à predisposição para episódios repetidos de infecção urinária. Isso, porém, não significa que exista um único “gene da infecção urinária” ou que uma pessoa com histórico familiar necessariamente desenvolverá o problema.
Por que algumas pessoas têm infecção urinária recorrente?
A ocorrência de infecções urinárias é considerada multifatorial. Além da genética, entram nessa combinação características anatômicas, funcionamento do sistema imunológico, presença de cálculos ou obstruções, ingestão insuficiente de líquidos e outros hábitos e condições individuais.
A anatomia também ajuda a explicar por que as ITUs são mais frequentes entre as mulheres. A uretra feminina é mais curta e fica próxima à vagina e ao ânus, regiões que possuem maior contato com bactérias. Alterações hormonais e características da microbiota local também podem contribuir para essa maior vulnerabilidade.
Existe exame genético para prever a doença?
Apesar dos avanços científicos, ainda não existe na prática clínica um teste genético de rotina capaz de determinar se uma pessoa terá infecção urinária recorrente. Por isso, a avaliação médica continua baseada principalmente no histórico do paciente e na investigação de possíveis causas.
Dependendo do caso, podem ser solicitados exames como urocultura e exames de imagem ou funcionais, incluindo ultrassonografia, tomografia, cistoscopia e estudo urodinâmico. O objetivo é identificar alterações que possam estar favorecendo a repetição das infecções.
Quando uma infecção urinária é considerada recorrente?
A infecção urinária de repetição é geralmente definida pela ocorrência de dois ou mais episódios em seis meses ou três em um período de 12 meses. A partir dessa frequência, a investigação busca entender quais fatores estão contribuindo para o reaparecimento do quadro.
A prevenção e o tratamento dependem da causa e devem ser individualizados. Entre as medidas gerais citadas por especialistas estão manter boa hidratação, não segurar a urina por períodos prolongados e cuidar da higiene pessoal. Em alguns casos, também pode ser necessária profilaxia medicamentosa, sempre com orientação profissional.
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar