Um estudo pioneiro realizado por cientistas da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FCFRP-USP) revelou que o dissulfeto de dialila — um composto bioativo extraído naturalmente do alho — tem a capacidade de potencializar os efeitos do 5-fluorouracilo, que é um dos medicamentos quimioterápicos mais utilizados no mundo para o tratamento do câncer colorretal (intestino).
O câncer colorretal ocupa a preocupante marca de segundo tumor mais diagnosticado e segunda principal causa de morte por câncer em escala global. O estudo, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e publicado na prestigiada revista científica Nutrients, abre portas para novas estratégias de tratamentos complementares e adjuvantes.
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Como os testes foram realizados em laboratório
A pesquisa, conduzida durante o mestrado da cientista Estéfani Maria Treviso sob a coordenação da professora doutora Lusânia Maria Greggi Antunes, avaliou os impactos do tratamento em diferentes linhagens de células tumorais (Caco-2 e HT-29) e células saudáveis:
• Efeito sinérgico: Ao expor as amostras por 24 horas à combinação do quimioterápico com o derivado do alho, os pesquisadores observaram um aumento expressivo na citotoxicidade contra o tumor.
• Proteção celular: A combinação das substâncias conseguiu aumentar a taxa de destruição das células doentes sem comprometer a integridade e a sobrevivência das células humanas saudáveis.
• Mecanismos de ação: O dissulfeto de dialila faz parte dos nutracêuticos e atua induzindo a apoptose (morte celular programada do tumor), bloqueando a proliferação desordenada e diminuindo a capacidade de migração do câncer.
Resultados promissores também contra o câncer de fígado
Esta não é a primeira vez que a equipe da USP Ribeirão Preto encontra respostas animadoras no extrato do alho. Em um trabalho anterior, desenvolvido durante o doutorado da pesquisadora Ana Rita Thomazela Machado e publicado na revista Pharmaceutics, o mesmo grupo investigou a ação do composto contra o carcinoma hepatocelular (câncer de fígado).
Combinação com o Sorafenibe: No estudo voltado ao fígado, o derivado do alho foi testado em conjunto com o sorafenibe, um quimioterápico que atua cortando o fluxo de vasos sanguíneos que alimentam o tumor. A associação reduziu drasticamente a migração celular e a autofagia do tumor, mostrando-se viável para desenhar futuros protocolos na oncologia clínica.
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