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TALENTOS DA POESIA

Paraenses Gabriela Sobral e Age de Carvalho são semifinalistas do Prêmio Oceanos 2026

Escritores de Belém estão entre os 54 semifinalistas da premiação, que reúne autores de quatro países lusófonos e recebeu mais de 3 mil obras nesta edição.

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Imagem ilustrativa da notícia Paraenses Gabriela Sobral e Age de Carvalho são semifinalistas do Prêmio Oceanos 2026 camera Gabriel Sobral e Age de Carvalho estão entre os finalistas do Prêmio Oceanos. | ( Divulgação)

O Oceanos – Prêmio de Literatura em Língua Portuguesa anunciou os 54 livros semifinalistas de sua edição de 2026. Entre os selecionados da poesia estão os paraenses Gabriela Sobral, autora de Modos de construção sobre tapumes, publicado pela Cachalote, e Age de Carvalho, com De-estar, entrestrelas, lançado pela Cobalto Livros.

Considerado um dos principais prêmios literários voltados à produção em língua portuguesa, o Oceanos selecionou, nesta edição, 26 títulos de prosa e 28 de poesia, entre 3.086 obras inscritas por autores de 13 nacionalidades.

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Gabriela Sobral é destaque com segundo livro

Nascida em Belém, Gabriela Sobral publicou poemas em coletâneas e revistas literárias antes de estrear em livro com Caranguejo (Patuá, 2017). Atualmente, vive no sudeste do Pará, região que, assim como as experiências ligadas ao território amazônico, atravessa sua produção literária.

Com Modos de construção sobre tapumes, seu segundo livro, a poeta aprofunda uma escrita marcada pela relação entre espaço, memória, transformação e apagamento.

Gabriela Sobral: segundo livro traz reconhecimento pela vigor da linguagem poética
📷 Gabriela Sobral: segundo livro traz reconhecimento pela vigor da linguagem poética |( Divulgação)

Segundo a descrição da editora Cachalote, os poemas do livro propõem uma espécie de “dialética da demolição”, tendo os tapumes como elemento central. Objetos que inicialmente representam impedimento e isolamento passam também a interferir nos espaços e nas experiências das pessoas que os cercam.

A obra explora, assim, tensões entre conservação e apagamento, utilizando o ambiente amazônico para questionar poeticamente a própria ideia de patrimônio.

Age de Carvalho retorna à cena literária

Também nascido em Belém, Age de Carvalho construiu uma trajetória reconhecida na poesia brasileira e vive na Europa desde 1986, entre as cidades de Viena e Munique. Além da literatura, atua como designer gráfico e diretor de arte para revistas austríacas e alemãs.

Sua bibliografia inclui títulos como Arquitetura dos ossos (1980), A fala entre parêntesis (1982), escrito em parceria com Max Martins, Arena, areia (1986), Ror: 1980-1990 (1990), Caveira 41 (2003), Seleta (2004) e Sangue-Gesang (2006).

Age de Carvalho: veterano volta às estantes com a consagração de uma poesia apurado pelo rigor
📷 Age de Carvalho: veterano volta às estantes com a consagração de uma poesia apurado pelo rigor |( Divulgação)

Com De-estar, entrestrelas, Age retorna à publicação de um livro de poesia dez anos depois de seu último lançamento. A obra reúne mais de 80 poemas, distribuídos em seis partes, e mantém características associadas à trajetória do autor, como a concentração expressiva e o rigor formal.

A presença de Age de Carvalho na semifinal também reforça a projeção da poesia paraense no cenário da literatura brasileira contemporânea.

Oceanos reúne autores de quatro países

Os 54 semifinalistas desta edição são provenientes de Angola, Brasil, Moçambique e Portugal e foram publicados por 25 selos editoriais na categoria de poesia.

Entre os 28 livros semifinalistas de poesia estão 19 autores brasileiros, cinco moçambicanos e quatro portugueses. No grupo brasileiro aparecem nomes como Adélia Prado, Adriana Lisboa, Edimilson de Almeida Pereira, Mar Becker e Nina Rizzi, além dos paraenses Gabriela Sobral e Age de Carvalho.

Na prosa, são 12 autores brasileiros, dez portugueses, três moçambicanos e um angolano. Entre os brasileiros estão Aline Bei, Eliana Alves Cruz, Marilene Felinto, Micheliny Verunschk, Milton Hatoum e Noemi Jaffe.

Próxima etapa definirá os finalistas

A próxima fase será conduzida por dois júris intermediários, um dedicado à prosa e outro à poesia. Cada grupo é formado por representantes de Angola, Brasil, Moçambique e Portugal.

Os jurados terão até 12 de outubro para avaliar os semifinalistas e selecionar cinco livros de cada categoria, que avançarão à final.

Na categoria de prosa, o júri é formado por Álvaro Taruma, de Moçambique; João Fernando André, de Angola; Carola Saavedra e Felipe Munhoz, do Brasil; e Sara Figueiredo Costa e José Mário Silva, de Portugal.

Na poesia, participam Leopoldina Fekayamãle, de Angola; Francisco Guita Jr., de Moçambique; Fernando Paixão e Natasha Félix, do Brasil; e Maria Antónia Oliveira e Maria João Cantinho, de Portugal.

Ao final dessa etapa, os dez livros selecionados — cinco de prosa e cinco de poesia — serão avaliados por um novo júri internacional, que escolherá um vencedor em cada categoria.

Semifinalistas de prosa

  • A chuva que lança a areia do Saara — Ana Margarida de Carvalho — Companhia das Letras (Portugal)
  • Aranha movediça — Moacir Fio — Moinhos (Brasil – CE)
  • Caderno de ossos — Julia Codo — Companhia das Letras (Brasil – SP)
  • Corsária — Marilene Felinto — Fósforo (Brasil – PE)
  • Dança de enganos — Milton Hatoum — Companhia das Letras (Brasil – AM)
  • Depois do trovão — Micheliny Verunschk — Companhia das Letras (Brasil – PE)
  • Have ya got any castles, baby — Ana Teresa Pereira — Relógio D'Água (Portugal)
  • Horas azuis — Bruna Dantas Lobato — Companhia das Letras (Brasil – RN)
  • Matilde — H.G. Cancela — Relógio D'Água (Portugal)
  • Meridiana — Eliana Alves Cruz — Companhia das Letras (Brasil – RJ)
  • Mobília humana — jjLeandro — Litteralux (Brasil – MA)
  • Mundo, pára quieto — Ricardo Araújo Pereira — Tinta-da-China (Portugal)
  • Não é ainda o pânico — Rui Nunes — Relógio D'Água (Portugal)
  • Narração nocturna — João Paulo Borges Coelho — Editorial Fundza (Moçambique)
  • Niemand — Andre Klojda — Litteralux (Brasil – RJ)
  • O almoxarife almaxerifado — João Henriques BarretoLima — Inmensa Editorial (Brasil)
  • O Mel sem abelhas — Judite Canha Fernandes — Gradiva (Portugal)
  • Quem tem medo dos santos da casa — Sara Duarte Brandão — Dom Quixote (Portugal)
  • Recordações e andorinhas — J. Rentes de Carvalho — Quetzal (Portugal)
  • Se não me quiseres amar agora no inverno, quando? — António Cabrita — The Poets and Dragons Society (Portugal)
  • Sob a capulana do destino e outros contos — Énia Lipanga — Nandyala (Moçambique)
  • Te dou minha palavra — Noemi Jaffe — Companhia das Letras (Brasil – SP)
  • Todas as famílias felizes — Miguel d'Alte — Suma de Letras (Portugal)
  • Tudo sobre Deus — José Eduardo Agualusa — Quetzal (Angola)
  • Última memória: entrevista com Sthoe — Lucílio Manjate — Alcance Editores (Moçambique)
  • Uma delicada coleção de ausências — Aline Bei — Companhia das Letras (Brasil – SP)

Semifinalistas de poesia

  • A parte desejada — Ademir Demarchi — Lambrequim (Brasil – PR)
  • Antes de dar nomes ao mundo — Adriana Lisboa — Relicário (Brasil – RJ)
  • As mãos — Rui Teixeira Motta — Guerra e Paz Editores (Portugal)
  • Boris e Marina — Alberto Martins — Companhia das Letras (Brasil – SP)
  • Cavalo partido ao meio — Danilo Villa — Primata (Brasil – BA)
  • Coisa de nada — Duarte Drumond Braga — não (edições) (Portugal)
  • Corpos da memória — Helder Macedo — Caminho (Portugal)
  • Costurar a linguagem — Zacarias Nguenha — Fundação Fernando Leite Couto (Moçambique)
  • De-estar, entrestrelas — Age de Carvalho — Cobalto Livros (Brasil – PA)
  • Diáspora não é lar — Nina Rizzi — Pallas (Brasil – SP)
  • Matriarca cidade — Dalgo Silva — 7Letras (Brasil – CE)
  • Modos de construção sobre tapumes — Gabriela Sobral — Cachalote (Brasil – PA)
  • Nada entre dois polegares — João Gabriel Madeira Pontes — 7Letras (Brasil – RJ)
  • Noite devorada — Mar Becker — Círculo de Poemas (Brasil – RS)
  • O jardim das oliveiras — Adélia Prado — Record (Brasil – MG)
  • Para espantar horror do tempo — Ben Jone — Oleba Editores (Moçambique)
  • Para o naufrágio do fogo — Britos Baptista — Gala-Gala (Moçambique)
  • Porte Étoile — Edimilson de Almeida Pereira — Cobalto Livros (Brasil – MG)
  • Pote de mel e outros poemas — Leonardo Gandolfi — Editora 34 (Brasil – RJ)
  • Quimera — Prisca Agustoni — Círculo de Poemas (Suíça-Brasil)
  • Radiografia das árvores — Ivana Fontes — Aboio (Brasil – SE)
  • Relógio sem rosto — Carlos Machado — Patuá (Brasil – BA)
  • Satori na laje — Edson Cruz — EditoRia (Brasil – BA)
  • Sobre a queda de uma pétala — Adriano Wintter — Bestiário (Brasil – RS)
  • Terreno — Duarte Scott — Tinta-da-China (Portugal)
  • Toda manhã era vez — Carla Diacov — Ofícios Terrestres (Brasil – SP)
  • Tratado das coisas sensíveis — Pedro Pereira Lopes — Imprensa Nacional – Casa da Moeda (Moçambique)
  • Tratado sobre noite — Whaskety Fernando — Mapeta (Moçambique)
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