A rotina de uma mãe que cuida de um filho com deficiência ou transtornos de neurodesenvolvimento é, muitas vezes, marcada pela solidão e pela sobrecarga invisível. Em Marabá, no sudeste do Pará, uma iniciativa da Faculdade Carajás promete ser o divisor de águas para essas mulheres.
O Serviço Escola de Psicologia (SEPSI) da instituição deu vida ao Gama — Grupo de Acolhimento para Mães Atípicas —, um espaço projetado para ser mais do que um centro de atendimento: um refúgio de troca e fortalecimento emocional.
A coordenadora do SEPSI, Karlyanne Everlyn, explica que a ideia nasceu da observação interna. Inicialmente focado em alunas e colaboradoras da faculdade que vivenciavam essa realidade, o projeto logo demonstrou um potencial transformador que não poderia ficar restrito aos muros da academia.
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"Vimos a proporção que isso poderia tomar e decidimos expandir para toda a comunidade", afirma a coordenadora. O Gama funciona como um grupo terapêutico onde o acolhimento é a palavra de ordem. Através de círculos de conversa e dinâmicas de grupo, as participantes podem compartilhar angústias, vitórias e estratégias de cuidado, sob a supervisão técnica de professores e o protagonismo de alunos dos últimos semestres do curso de Psicologia.
Um dos maiores diferenciais do projeto é o entendimento da logística materna. Muitas mães deixam de buscar suporte psicológico por não terem com quem deixar seus filhos.
Pensando nisso, a Faculdade Carajás estruturou um espaço de recreação onde as crianças são assistidas por estagiários enquanto as mães participam das sessões. "É um cuidado em rede. Enquanto a mãe cuida de si no grupo, o filho está em um ambiente lúdico e seguro", pontua Everlyn.

Além da sede na faculdade, o Gama já nasce com vocação para a descentralização. Parcerias com a Igreja dos Capuchinhos, no bairro Novo Horizonte, e com a Usina da Paz, no bairro Liberdade, garantem que o suporte chegue a diferentes núcleos da cidade.
Para participar, as interessadas devem realizar a inscrição através de um formulário disponível nas redes sociais da faculdade. Com o início das atividades previsto para o mês de abril, o projeto reafirma o papel social da universidade em promover saúde mental e visibilidade para quem, por tanto tempo, cuidou sem ser cuidada. (Com apoio de James Oliveira, da RBATV)
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