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MEIO AMBIENTE & CONFLITOS

Protesto em Marabá defende o Rio Tocantins contra Hidrovia

Mesmo com revogação, comunidades exigem consulta prévia e barram obras da Hidrovia Araguaia-Tocantins; "O rio é nossa casa", afirmam lideranças

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Imagem ilustrativa da notícia Protesto em Marabá defende o Rio Tocantins contra Hidrovia camera Mesmo com revogação, comunidades exigem consulta prévia e barram obras da Hidrovia Araguaia-Tocantins | Mirella Carvalho

A revogação de um decreto federal na última segunda-feira (23) não foi suficiente para desmobilizar os movimentos sociais em Marabá. Manifestantes permanecem nas ruas e em pontos estratégicos, como a região de Itupiranga (Cajil), para protestar contra os impactos da Hidrovia Araguaia-Tocantins, especificamente as obras de derrocamento do Pedral do Lourenço.

Pauta além do decreto

Segundo lideranças do movimento, a decisão do governo de revogar o decreto não anula a autorização para o início das obras de terra e o derrocamento das pedras que impedem a navegação de grandes comboios. O grupo alega que a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) está sendo desrespeitada.

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"É preciso que haja consulta livre, prévia e informada das comunidades impactadas, o que não aconteceu. As obras vão passar por cima de territórios e tirar pessoas de suas casas", afirmou uma das manifestantes durante o ato.

União de povos e regiões

O protesto em Marabá ganhou contornos regionais com a chegada de uma delegação de Cametá (Baixo Tocantins), que se uniu a ribeirinhos, quilombolas, indígenas e agricultores familiares da região do Pedral. Para os manifestantes, o impacto ambiental da hidrovia não é localizado, mas afetará todo o ecossistema da biodiversidade amazônica.

Crítica aos grandes empreendimentos

Lideranças locais, reforçam que o projeto beneficia apenas grandes corporações e multinacionais do setor de logística e agronegócio, como a exportação de soja e minério.

"Nós, populações tradicionais, não temos produtos para escoar nesses grandes comboios. Nós temos o nosso pescado e nossos produtos de vazante. O poder público tem o dever de preservar para as futuras gerações, mas o que vemos é um projeto que quer acabar com nossos recursos", pontuou um pescador local.

Situação atual

A mobilização já completa 30 dias na região da Cajil. Os manifestantes afirmam que o "Rio Tocantins não é mercadoria" e prometem manter a resistência até que o governo federal estabeleça um canal de diálogo real com as comunidades que sobrevivem do rio.

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