
A Polícia Civil do Ceará, com o apoio das polícias civis de São Paulo, Mato Grosso e Pará, deflagrou na última quarta-feira (2), a "Operação Quéfren", com o objetivo de prender suspeitos e apreender bens de agentes de plataformas e influenciadores digitais envolvidos na divulgação e promoção de jogos de azar ilegais no Brasil.
A operação ocorreu simultaneamente em diversas cidades, incluindo Juazeiro do Norte, Fortaleza, Itaitinga e Eusébio, no Ceará; São Paulo, Embu das Artes e Santana de Parnaíba, em São Paulo; Cuiabá e Várzea Grande, no Mato Grosso; e Marabá, no Pará. Durante as diligências, foram cumpridos mandados de prisão e busca e apreensão, além do bloqueio de contas bancárias e da indisponibilidade de bens dos investigados.
Influenciadores e esquema milionário
As investigações apontam que os principais alvos da operação são influenciadores digitais e agentes de plataformas que promoviam cassinos online não autorizados. Os suspeitos utilizavam suas redes sociais para atrair seguidores, exibindo ganhos fictícios em jogos como o "Jogo do Tigrinho". Além disso, há indícios de lavagem de dinheiro e possível prática de estelionato.
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Os influenciadores digitais eram remunerados de diversas formas, desde pagamentos fixos por publicações até comissões baseadas no número de novos usuários cadastrados e no montante apostado nas plataformas. O esquema movimentou milhões de reais nos últimos três anos, segundo os investigadores.
Organização transnacional
A investigação, iniciada em abril de 2024, revelou que os suspeitos faziam parte de uma rede estruturada de gerentes, agentes e influenciadores digitais que negociava diretamente com chefes das plataformas de apostas. A maioria desses chefes reside no exterior, principalmente na China.
Além da remuneração financeira, influenciadores e agentes recebiam incentivos como viagens internacionais financiadas pelos donos das plataformas, divulgando essas experiências em suas redes sociais como um suposto sinônimo de sucesso.
Mandados cumpridos
Foram expedidos 13 mandados de prisão, 17 mandados de busca e apreensão, 23 mandados de busca veicular e 15 ordens de bloqueio de bens e valores. Até o momento, já foram efetuadas diversas prisões e apreensões de veículos, sendo que a operação segue em andamento.
Uma das influenciadoras investigadas é Victoria Raynna Silva Marinho, de Marabá, que possui mais de 300 mil seguidores e exibe uma vida de luxo em suas redes sociais. Segundo as investigações, ela teria promovido plataformas de apostas ilegais, incentivando seus seguidores a participarem dos jogos.

Especialistas alertam que influenciadores digitais podem ser usados como iscas para atrair novas vítimas, criando uma falsa impressão de ganhos fáceis. Para evitar cair em golpes, é essencial verificar se a plataforma é regulamentada, desconfiar de promessas irreais e denunciar práticas suspeitas às autoridades competentes.
As polícias envolvidas reforçaram que o combate a jogos de azar ilegais e lavagem de dinheiro continuará, visando coibir atividades que lesam financeiramente milhares de brasileiros.
Dicas para evitar fraudes:
- Desconfie de promessas irreais – Golpistas costumam prometer lucros fáceis e ganhos garantidos. Nenhum jogo de azar pode assegurar retorno financeiro.
- Pesquise sobre a empresa – Busque avaliações de usuários e se há denúncias contra a plataforma em sites como Reclame Aqui e Procon.
- Evite compartilhar dados pessoais – Nunca informe senhas, documentos ou dados bancários em sites duvidosos. Prefira plataformas que utilizam métodos seguros de pagamento.
- Fique atento a influenciadores – Muitos influenciadores são pagos para divulgar plataformas ilegais e podem usar vídeos editados para simular ganhos falsos.
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